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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Apenas JN cita fala golpista de Bolsonaro; Band, SBT e Record amenizam

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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

07/09/2021 20h19Atualizada em 08/09/2021 14h37

Em discurso nesta terça-feira na avenida Paulista, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro declarou abertamente que não respeitará "qualquer decisão" do ministro Alexandre de Moraes, incitando seus apoiadores contra o STF. Bolsonaro xingou o magistrado de "canalha" e pediu sua saída.

Essa ameaça golpista do presidente não foi relatada de forma clara na abertura dos principais telejornais da Band, SBT e Record. Os três amenizaram a gravidade do ato e das palavras de Bolsonaro e evitaram dizer com todas as letras o que aconteceu neste 7 de setembro. Só a Globo mencionou o "tom golpista" de Bolsonaro na sua "escalada" (a leitura das principais notícias do dia).

O "Jornal da Band" começou assim: "Bolsonaro ataca os governadores e xinga ministro do Supremo". Já o "SBT Brasil" anunciou: "O 7 de setembro foi marcado por manifestações a favor e contra o presidente Bolsonaro. Ele voltou a atacar ministro do STF". O telejornal da emissora de Silvio Santos se diferenciou ao exibir, no final, a íntegra do discurso do presidente em São Paulo.

O "Jornal da Record" abriu com as seguintes palavras: "O feriado do 7 de setembro foi marcado por manifestações em todo Brasil. O presidente Jair Bolsonaro chegou a São Paulo no início da tarde para discursar a apoiadores na avenida Paulista. Ele citou mais uma vez o STF e disse que não teme ficar inelegível para as próximas eleições". O telejornal disse ainda que o presidente "subiu o tom" contra ministros do STF.

O "Jornal Nacional", na Globo, foi direto ao ponto. "O desrespeito à democracia com as cores da nossa bandeira. Em diversas cidades brasileiras, bolsonaristas insuflados pelo presidente da República usam o verde e amarelo, mas atacam pilares da Constituição. Em tom golpista o presidente discursa em Brasília e em São Paulo. Diz que respeita a Constituição, mas na mesma frase volta a ameaçar o STF."

Durante a tarde

Nos programas vespertinos, "Brasil Urgente", na Band, e "Cidade Alerta", na Record, tiveram posturas diferentes. Datena adotou um tom mais crítico. Falou em "discurso agressivo" de Bolsonaro, "ataque a ministro do STF e à instituição". E observou que a preocupação maior da população, hoje, é "com comida no prato e emprego".

Já Bruno Peruka, no "Cidade Alerta", falou em "dia histórico para a democracia". Observou que "o que importa é se expressar seja a favor ou contra". E chegou a tratar a manifestação na Paulista como "festa".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL