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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

É simbólico e, infelizmente, ainda é notícia uma apresentadora negra no JN

A jornalista Aline Midlej, da GloboNews, apresentou o Jornal Nacional pela primeira vez neste sábado (18) - Reprodução
A jornalista Aline Midlej, da GloboNews, apresentou o Jornal Nacional pela primeira vez neste sábado (18) Imagem: Reprodução
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

18/09/2021 21h58

Em fevereiro de 2019, Maju Coutinho se tornou a primeira mulher negra a apresentar o "Jornal Nacional". Na ocasião, perguntei a ela por que isso tinha virado notícia. Ela respondeu:

Porque tem esse fato simbólico de eu ser a primeira mulher negra a ocupar a bancada. É simbólico e, infelizmente, ainda é notícia. É uma comoção para uma população representativa do país que não se viu ainda contemplada naquela bancada."

Em março de 2020, por causa da pandemia de coronavírus, a Globo excluiu todos os apresentadores que não viviam no Rio do esquema de plantão do JN. A medida afetou, entre outros, os três jornalistas negros que cumpriam esta função, Maju, Aline Aguiar, Marcio Bonfim e Heraldo Pereira.

Demorou um ano e meio para o JN voltar a ter uma apresentadora negra nos plantões. Neste 18 de setembro, a jornalista Aline Midlej, comandante do "Jornal das Dez", na GloboNews, estreou na bancada do JN ao lado de outro estreante na função, o repórter Paulo Renato Soares.

A novidade foi registrada pelo repórter Tiago Scheuer, que apresentou a meteorologia. "Que prazer te encontrar aqui, Tiago", disse Aline. "O prazer é todo meu de ver você aí neste lugar, que você merece ocupar", respondeu. "Você e o Paulo Renato Soares. Sejam bem-vindos no JN. Que vocês brilhem ainda mais nesta nova fase".

A excepcionalidade do fato mostra como a frase de Maju Coutinho permanece valendo. É simbólico e, infelizmente, ainda é notícia ter uma jornalista negra no comando do principal telejornal do país.

Aos 38 anos, Aline está em um momento ascendente da carreira. Na GloboNews há cinco anos, ela apresentava um programa matinal até ser promovida, em maio deste ano, ao comando do "Jornal das Dez", uma das principais atrações do canal de notícia.

Em tempo: Aline e Renato se saíram muito bem na estreia no JN. Sem demonstrarem maior nervosismo, pareciam estar em casa na nova função.