PUBLICIDADE
Topo

Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Livro e entrevista mostram que Huck não desistiu de projeto político

Luciano Huck no Domingão - Reprodução/TV Globo
Luciano Huck no Domingão Imagem: Reprodução/TV Globo
Conteúdo exclusivo para assinantes
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

18/09/2021 04h01

Muita gente acreditou que, ao renovar contrato com a Globo e ser escalado para o Domingão, Luciano Huck abraçou de vez o entretenimento e deixou de lado a ambição de atuar no campo político. O recém-lançado livro "De Porta em Porta" e a entrevista que deu à Veja, publicada neste sábado (18), indicam que não. São vários os sinais de que o apresentador segue com a intenção de voos mais altos no terreno da política.

O livro, como escrevi na Folha, mistura relatos autobiográficos com reflexões sobre educação, meio ambiente e distribuição de renda. Os capítulos "Da Porta para Dentro" ajudam a fixar a imagem de Huck como um homem de fé, tolerante e aberto em matéria de religião e sexualidade. É alguém que superou o "machismo estrutural", antirracista, um bom filho, ótimo pai e marido afetuoso.

Já os textos "Da Porta para Fora" mostram um Huck bem relacionado com grandes pensadores contemporâneos, empresários preocupados com a miséria e figuras interessadas em renovar a política.

O livro me pareceu muito um cartão de visitas de alguém determinado a voos mais altos na vida pública. Um candidato a algo. Sem jamais se comprometer afirmativamente, Huck vem alimentando há anos a expectativa de que poderia, um dia, concorrer à Presidência. Ainda pode.

Isso transparece na entrevista à Veja. Questionado, Huck preferiu não responder se votaria em Bolsonaro ou Lula em um eventual segundo turno. "Não quero fazer essa escolha agora. Prefiro contribuir para que não tenhamos só duas opções de escolha no ano que vem diante da urna eletrônica", disse.

No livro Huck fala em buscar uma "coalizão que seja capaz de superar a polarização política". Diz que construiu "uma boa relação com as Forças Armadas" e defende um programa de renda básica, nem de esquerda nem de direita.

À revista, ressalva que no momento está "mais preocupado em debater um projeto de país, e não em ter um fulano, sicrano ou beltrano como candidato" nas eleições de 2022. E faz uma observação que, na prática, não exclui a possibilidade de ele próprio participar do pleito.

"As eleições sempre foram um processo muito arrastado no Brasil. Se formos olhar os últimos ciclos eleitorais, a formação do "grid" acontece nos últimos três, quatro meses antes do pleito, ou muito perto da campanha começar. Não acho que dessa vez será diferente", disse.

O apresentador afirmou ainda à Veja: "Minha atuação vai continuar dentro e fora da TV. Muita gente falou que eu iria virar político, mas acho que já virei político faz tempo. Eu não pretendo sair do debate público".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL