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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

CPI chega ao clímax com relatos de dramas reais de parentes das vítimas

18.out.2021 - O taxista Márcio Antônio do Nascimento Silva, natural do Rio, também contou sua história hoje à CPI da Covid. Ele perdeu o filho Hugo, de 25 anos, em decorrência do vírus. O carioca ficou conhecido na cidade depois de protagonizar um gesto contra o desrespeito de pessoas que debochavam de um ato em memória de vítimas da covid, na praia de Copacabana - Pedro França/Agência Senado
18.out.2021 - O taxista Márcio Antônio do Nascimento Silva, natural do Rio, também contou sua história hoje à CPI da Covid. Ele perdeu o filho Hugo, de 25 anos, em decorrência do vírus. O carioca ficou conhecido na cidade depois de protagonizar um gesto contra o desrespeito de pessoas que debochavam de um ato em memória de vítimas da covid, na praia de Copacabana Imagem: Pedro França/Agência Senado
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

18/10/2021 15h16

Em paralelo à gravidade dos assuntos que tratou, a CPI da Covid ofereceu grandes momentos ao espectador ao longo de quase seis meses. Revelações surpreendentes, discussões acaloradas, vexames antológicos, grandes discursos, jogos de cena - teve de tudo.

Pensando, como já escrevi, que se trata de um evento de alto potencial midiático, ela não decepcionou. Quem colou diante da tela, usufruiu instantes de suspense, tensão, raiva e, também, de alívio cômico e gargalhadas.

Nesta segunda-feira (18), ao abrir espaço para alguns parentes de vítimas da pandemia falarem livremente, sem interrupção, a investigação ganhou uma dramaticidade extraordinária. Foi um momento de exposição de dores visíveis - e não relatadas por intermediários. Histórias palpáveis, dramas reais, tragédia desenhada - tudo que dá veracidade ao drama.

Ao final, para coroar o clima, o senador Randolfe Rodrigues (Rede), exibiu um clipe da música "Aos Nossos Filhos", de Ivan Lins, autorizado pelo próprio, segundo o vice-presidente da CPI. A letra traz versos que parecem ter sido escritos hoje: "Perdoem a falta de folhas / Perdoem a falta de ar / Perdoem a falta de escolha / Os dias eram assim."

Se a comissão de inquérito fosse uma série de TV, o episódio desta segunda-feira (18) certamente seria o escolhido para representá-la nas disputas de prêmios. Foi o que os roteiristas chamam de clímax.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL