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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Demissão de Marinho coloca em dúvida intenção de "pluralidade" da JP News

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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

04/11/2021 18h17Atualizada em 04/11/2021 20h38

A saída de André Marinho da Jovem Pan, anunciada por ele nesta quinta-feira (4), enfraquece uma das bandeiras do canal de notícias, a de que é um defensor da liberdade de expressão e da pluralidade. O comediante fez fama no programa "Pânico" com imitações de políticos e comentários ácidos sobre a conjuntura.

Na estreia da JP News na televisão, semana passada, participando de uma entrevista com o presidente Jair Bolsonaro no "Pânico", Marinho esticou a corda ao fazer uma pergunta sobre rachadinha ("Rachador tem que ir pra cadeia ou não?"). Furioso, o presidente deixou o programa antes do fim.

As reações no campo da direita começaram ainda no ar. O comentarista Adrilles Jorge bateu boca com Marinho e o chamou de "vagabundo", "mauricinho" e "safado". Sempre aos gritos. Nas redes sociais, outro comentarista da JP, Rodrigo Constantino, enxergou a intenção de "lacração", "campanha política" ou "ressentimento" na atitude de Marinho. E disse que faltou "respeito" e "liturgia do cargo" na entrevista.

Segundo o site O Antagonista, em função da repercussão do incidente, executivos da JP passaram a temer que a empresa "perdesse o selo de bolsonarista convicta".

Para reforçar a impressão de que o canal quer agradar o governo, nos últimos dias a JP anunciou a contratação do comentarista Caio Coppolla, bolsonarista que estava na CNN Brasil, e de Ricardo Salles, ex-ministro de Meio Ambiente do governo Bolsonaro. Coppolla festejou a notícia, dizendo que na JP "impera a liberdade de expressão".

Voz de equilíbrio

Em mensagem gravada e postada no You Tube, Marinho comentou sua saída da Jovem Pan. Lembrou que "ali em 2020, a rádio fez uma decisão mercadológica de fidelizar esse público bolsonarista, propagar as teses simpáticas ao atual governo, estabelecer uma linha editorial que fosse mais adesista, mais governista."

E observou: "Diante desse quadro eu tinha duas opções: ou ficava em casa, chupando o dedo, na minha zona de conforto, ou eu ia de fato ao encontro desse desafio e tentar ser uma voz de equilíbrio nesse ambiente".

O comediante não comenta as pressões que enfrentou nos últimos dias, em consequência do incidente ocorrido durante a entrevista com Bolsonaro. Veja abaixo: