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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Jornal "Notícias Populares" vai ser tema de série de ficção no canal Brasil

Uma das muitas capas do NP tratando do caso do "pênis voador", que será tema de um dos episódios da série sobre o jornal   - Reprodução
Uma das muitas capas do NP tratando do caso do "pênis voador", que será tema de um dos episódios da série sobre o jornal Imagem: Reprodução
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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

08/11/2021 07h01

Lançado em outubro de 1963 e fechado em janeiro de 2001, o "Notícias Populares" teve vida relativamente curta, mas deixou uma história enorme, barulhenta e fascinante. Dedicado às classes C e D, caprichava na cobertura de notícias de crimes, sexo e assuntos sobrenaturais, mas também tratava de política, economia e entretenimento de massa, tudo temperado com sensacionalismo e humor.

O jornal passou, nestes 37 anos, por diferentes fases, sob orientações variadas, mas conservou sempre a identidade como um jornal essencialmente popular, que dependia da venda em bancas. Na sua última fase, na década de 1990, o NP foi ocupado, da direção à redação, por vários jornalistas que tinham se formado numa escola de jornalismo bem mais sóbria e respeitada, a da "Folha". Ambos tinham o mesmo proprietário, Octavio Frias de Oliveira (1912-2007).

É justamente esta última fase do jornal que inspira uma série de ficção intitulada "Notícias Populares", criada pelo jornalista André Barcinski e o diretor Marcelo Caetano, a mesma dupla responsável pela ótima série "Hit Parade", do Canal Brasil (disponível no Globoplay).

NP - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
A redação do "Notícias Populares" na década de 1990, época em que se passa a série de Barcisnki e Caetano
Imagem: Arquivo pessoal

Em fase de produção, "Notícias Populares" gira em torno da redação do NP a partir da chegada de uma jornalista da "Folha" para ocupar a chefia de reportagem. "Vinda do jornal sério, ela é jogada naquele turbilhão do NP", conta Barcinski, que percorreu este mesmo caminho profissional no início da década de 1990.

"As pessoas (que vinham da "Folha"), num primeiro momento, achavam aquilo (o NP) ruim, mas depois passavam a ver a beleza daquilo, fazer um jornalismo que não estavam acostumadas", diz Barcinski.

Serão oito episódios, cada um deles tendo como pano de fundo algum grande caso que mexeu com a imaginação do leitor e o jornal acompanhou como se fossem novelas - até porque muitas histórias foram inventadas ou exageradas: "Bebê Diabo", "Gangue do Palhaço" e "Pênis Voador", entre outros. Também haverá um episódio dedicado à cobertura de carnaval, outro clássico do NP, que abusava das fotos picantes.

O roteiro é assinado por Barcinski, Caetano, Anna Carolina Francisco e Ricardo Grynszpan. No momento, o diretor abriu uma seleção pública de elenco. O projeto, com produção da Kuarup e exibição no Canal Brasil, tem previsão de começar a ser gravada em 2022.

Barcinski conta que teve aprovação pessoal de Otavio Frias Filho (1957-2018). "Tive muitas conversas com ele. Adorava o projeto. Otavio tinha muito carinho pelo NP e foi de uma simpatia impressionante", conta. "Uma pena que não vai estar aqui pra ver isso. Deixou na nossa mão. O NP era a menina dos olhos do pai dele".

Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha, conta que Otavio "via o projeto com bons olhos" e pediu um parecer a ele. "Eu achei que deveríamos ir em frente na liberação de nome etc. Facilitamos as pesquisas ao Barcinski no acervo do jornal", conta.