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Olga Curado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Com o sonso Pacheco e o descontrolado Bolsonaro, o Brasil passa vergonha

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o presidente da República, Jair Bolsonaro - Twitter/Jair M. Bolsonaro
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o presidente da República, Jair Bolsonaro Imagem: Twitter/Jair M. Bolsonaro
Olga Curado

Jornalista, escritora, consultora de imagem e faixa preta de Aikido. Autora de livros de comunicação e de ficção. Fundou e dirige a consultoria Curado & Associados, onde desenvolveu método de treinamento de comunicação para lideranças e um sistema de aferição de imagem pública (iVGR). www.olgacurado.com.br

Colunista do UOL

14/04/2021 12h31Atualizada em 14/04/2021 12h31

A França fechou o portão de entrada aos brasileiros. E isso é mais do que uma medida de cuidado sanitário. É o reconhecimento internacional da estultice que tomou conta do Brasil. Somos lá fora exemplo de tolice, para dizer o mínimo. Queimamos como uma pilha de papel seco a imagem de um país solidário, amigável, promissor e criativo, pela imagem de uma nação improvável.

Há nomes e endereço para que se credite a percepção internacional do que nos tornamos. O endereço é a Praça dos Três Poderes, em Brasília. De um lado, o inquilino do Palácio do Planalto manda recados para o seu público vassalo, que a pandemia é apenas uma luta política.

Defronte do Palácio do Planalto fica o Congresso Nacional. Com um presidente do Senado ambicioso e ambíguo. O Pacheco quer ficar olímpico e tenta expressar autocontrole, utilizando linguagem gongórica para anunciar que não decide, revelando mais cálculo político do que equilíbrio emocional. Em momentos como a tragédia em que vivemos não há espaço para cara de neutralidade.

O terceiro endereço na Praça é o STF (Supremo Tribunal Federal). A corte é apontada, pelo Palácio do Planalto e pelo Congresso Nacional, como intrometida usurpadora de competências, ao determinar que cada um deles faça as suas obrigações. Os magistrados se tornam professores que chamam a atenção do aluno que não entrega a tarefa. Numa hora o capitão legisla sem poder, no outro momento o senador se faz de mouco e ignora o direito da minoria que clama pela apuração de responsabilidade do governo federal no manejo da pandemia.

Nada é fortuito. E nem tudo é controlado.

Pesquisadores falam na escolha consciente do capitão em provocar o contágio para obtenção de imunidade de rebanho, a saída para a pandemia.

Mas ele não fez as contas dos mortos e dos sequelados que advêm dessa opção. As escolhas que faz o capitão são respostas que refletem desequilíbrio emocional e pressa.

A montanha russa do humor do capitão revela a falta de estabilidade e serenidade para lidar com as demandas exigidas para a função que exerce. Possivelmente uma nova assessoria de gestão de estresse poderia contribuir para o melhor desempenho dele. Iria ajudar para que as decisões sejam tomadas dentro de um mínimo de segurança emocional, levando em conta que essas escolhas podem afetar milhões de pessoas.

Num momento, o capitão dá uma gargalhada pública, quando reconhece a "boa sorte" de ter o ministro subjugado a ele no STF, o Kassio Nunes, sorteado para relatar pedido de impeachment do colega de corte, Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito que apura o uso de fake news contra a democracia, em que aparece o DNA da família Bolsonaro. No momento seguinte, adverte a correligionária no cercadinho que não vai fazer cara boa, por causa do mau dia que teve, referindo-se, sem mencionar, à instalação da CPI da Pandemia.

Na gangorra desses humores e cálculos políticos ficamos os brasileiros, barrados no acesso à comunidade internacional, como referência de tolos. Vergonha. Esconder o passaporte. Guardar o passaporte. Para não ser identificado como cúmplice por escolhas que nos envergonham.

Vergonha. Mas passa. Hoje sai a CPI.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL