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Olga Curado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Pazuello lambe botas do capitão, que usa estética fascista para pedir voto

Pazuello discursa ao lado de Bolsonaro em ato no Rio - Reprodução
Pazuello discursa ao lado de Bolsonaro em ato no Rio Imagem: Reprodução
Olga Curado

Jornalista, escritora, consultora de imagem e faixa preta de Aikido. Autora de livros de comunicação e de ficção. Fundou e dirige a consultoria Curado & Associados, onde desenvolveu método de treinamento de comunicação para lideranças e um sistema de aferição de imagem pública (iVGR). www.olgacurado.com.br

Colunista do UOL

24/05/2021 11h49Atualizada em 24/05/2021 11h52

A campanha eleitoral ganha uma nova estética.

A fila de homens em "passeio" de motocicleta é a nova estética em teste da campanha eleitoral do capitão. Não é original. O final da campanha também é conhecido.

As redes sociais invocam uma lembrança que o mundo não quer esquecer, para que não se repita. Os passeios do Mussolini ao lado dos seus homens, em motocicletas, numa expressão de uma certa "masculinidade" muito própria de meninos que se sentem à vontade apenas com meninos, enquanto fazem piadas homofóbicas e misóginas.

A História também conta o final de Mussolini. Entretanto, antes que se fosse, provocou um rastro de destruição humanitária.

Há um calendário sendo azeitado de passeios de motocicleta do capitão pelas avenidas das grandes cidades brasileiras, que seguirão um programa extenso.

Já tem uma programação que pretende mostrar a proximidade dele com o "povo" e o seu grito de guerra permanente - segundo o qual "o seu Exército" não vai impedir as pessoas de circularem em liberdade, numa referência distorcida do que é distanciamento social, medida que visa controlar a disseminação da covid-19, doença que está perto de matar mais de 450 mil brasileiros e brasileiras.

Bolsonaro em passeio de moto - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Bolsonaro inicia passeio de moto pelo Rio de Janeiro
Imagem: Reprodução/Facebook

No caminhão em frente à praia, no Rio de Janeiro, usando recursos sabe-se lá de quem, o capitão juntou a plateia para desafiar a ciência, a humanidade, o bom senso. Explicitamente deu de ombros aos regramentos institucionais, numa exibição de despautério. Foi o que se viu na imagem provocada pelo capitão reformado e seu vassalo, um general da ativa que desonra o Exército brasileiro.

No palanque do capitão, o general-vassalo, apresentado pelo chefe como "gordinho", mostra a mesma "cara de pau" que apresentou à CPI da Pandemia. Mais visível, sem máscara, e discursando como se fosse um vereador recém-eleito. Mas ele quer mesmo, com a sua vassalagem, é uma outra" missão". Que lhe garanta o teto de remuneração duplex.

Um empreguinho e o soldo de general da reserva são um atrativo para o general. Novas regras recentemente aprovadas pelo capitão garantem um salário extra que pode superar o teto salarial de R$ 39.900,00!

Agora que terá mais uma "graninha", pode pedir passagem para a reserva. E espera sôfrego as novas ordens. O exemplo de puxa-saquismo que envergonharia o mais carreirista dos candidatos à promoção, sem méritos.

Braga Netto, Paulo Sérgio, generais chefes do general da ativa, têm autoridade para fazer cumprir as regras às quais todos os que ingressam nas Forças Armadas devem seguir? Ou vão se valer de malabarismo declaratório-institucional - no uso do regulamento disciplinar? Afinal, o general "gordinho" estava junto do comandante-em-chefe das Forças Armadas quando discursou, sem máscara, na campanha eleitoral!

O general rolando-lero haverá de ser explicar à CPI da Pandemia, na nova convocação, porque o que ele fala não se escreve.

A ausência de qualquer compromisso com a verdade e as falas desconectadas com a realidade têm materialidade. Estudos revelam que onde tem mais bolsonarismo, desrespeito à ciência, tem mais vítimas de covid-19.

Mas, ainda as motos do capitão.

O capitão gosta de moto.

Em 1995, sofreu um assalto quando ia panfletar na Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Dois homens o renderam e levaram sua motocicleta. Fez boletim de ocorrência e seguiu em diligência com a polícia na favela do Jacarezinho, próxima ao local do assalto. Não encontrou a moto. "Dois dias depois, juntamente com o 9º Batalhão da Polícia Militar, nós recuperamos a arma e a motocicleta e por coincidência — não é? — o dono da favela lá de Acari, onde foi pega? foi pego lá, estava lá, ele apareceu morto, um tempo depois, rápido".

E continuou: "Não matei ninguém, não fui atrás de ninguém, mas aconteceu".

O capitão-reformado tem fixação por moto. E lança uma nova estética de campanha eleitoral.

Mas não é original.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL