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Olga Curado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Manifestação só reúne minoria em Brasília; povo não adere a Bolsonaro

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Olga Curado

Jornalista, escritora, consultora de imagem e faixa preta de Aikido. Autora de livros de comunicação e de ficção. Fundou e dirige a consultoria Curado & Associados, onde desenvolveu método de treinamento de comunicação para lideranças e um sistema de aferição de imagem pública (iVGR). www.olgacurado.com.br

Colunista do UOL

07/09/2021 11h59Atualizada em 07/09/2021 13h12

O povo não foi aplaudir o capitão. O capitão fracassou em atordoar Brasília. Não impressionou a movimentação de barulhentos manifestantes na Esplanada dos Ministérios. Os grandes espaços de Niemeyer não foram ocupados como desejariam os organizadores do evento.

Foram à Brasília, neste 7 de setembro, os habitantes da bolha bolsonarista, mas ela não logrou contaminar a população com o seu ódio e vassalagem.

A foto do prestidigitador para a campanha eleitoral não tem representatividade. Não. Prova disso são as notícias que a cada dia o capitão recebe e que deseja desmentir. Já deu, dizem as pesquisas.

O mundo olha a vergonha produzida pela retórica do ódio, mas também com perplexidade. Fica o alerta quanto ao uso da comunicação pelas redes como pista de alta velocidade, sem qualquer responsabilidade. O capitão desafia o vácuo, como mostrou na última canetada antidemocrática, dando a si o poder de controlar conteúdo de mídias sociais.

Encher a Esplanada dos Ministérios com gente que se curva e defende o autoritarismo, em reverência a falsos ídolos montados em laboratórios de ideologia fascista, é fácil para o capitão. É ele mesmo o porta-voz desses grupos. Difícil para o capitão é governar e isso significa: promover a saúde por meio de decisões responsáveis e competentes; aquecer a economia para reduzir a vergonhosa desigualdade social; promover o conhecimento com apoio à educação; proteger o meio ambiente para assegurar a sustentabilidade do país; respeitar por palavras e atos a cidadania.

Transborda de Goiás, estado de entorno do bolsonarismo, e do Mato Grosso a plateia que o capitão arregimentou, às custas de dinheiros de indivíduos e de organizações que escondem, em siglas de atividades de defesa de setores produtivos, seus verdadeiros e anacrônicos objetivos. Também é usando o dinheiro público e o mandato para governar que o capitão tenta corroer a democracia. Usa o seu cartão corporativo "inauditável" para ir e vir da sua campanha eleitoral antecipada.

Bolsonaro perdeu, mesmo garantindo uma foto com gente, menos gente do que poderia esperar. E sabe disso. Mas, coerente com o padrão negacionista, fecha os olhos, para não enxergar o que salta aos olhos do país: perdeu! Antecipa o "jus sperniandi", o esperneio desesperado. Aumentou o seu cercadinho de delírios matinais de tirania amadora, mas tem que lidar com a força irreversível da sua derrota galopante, numa velocidade que as suas motociatas não conseguem ultrapassar.

Em busca de uma foto, o capitão botou fogo nas redes sociais para garantir a audiência que está perdendo, apenas para manter o berrante e juntar a boiada.

A tentativa de revogar o marco legal da internet, com data marcada, é o rompimento da barreira institucional, em favor do discurso da mentira e do ódio. O autocontrole pela narrativa que contamina e nega os fatos é o ardil daqueles que desejam construir e fazer parecer real uma ilusão.

Mas a foto da Esplanada dos Ministérios não basta para sustentar a representatividade. Não tem sustentação, ainda que faça barulho. É o "esquenta" para o ano que vem. Troca o civismo da data pela militância radical, seguindo o script da ruptura institucional, como se assim pudesse calar as necessidades da população e os reclames da cidadania.

Em tempo: o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) não é bedel, para "enquadrar" ministro. E o STF não faz parte do Conselho da República. Artigo 89 da Constituição Federal.

Mais uma aula que o capitão perdeu.

Por enquanto, é assim.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL