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Paulo Ricardo retoma na Justiça direito de relançar clássicos do RPM

RPM: Deluqui, Schiavon, P.A. e Paulo Ricardo  (à direita) - Márcia Zoet/Folha Imagem
RPM: Deluqui, Schiavon, P.A. e Paulo Ricardo (à direita) Imagem: Márcia Zoet/Folha Imagem
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

16/06/2020 11h08

A Justiça autorizou o vocalista Paulo Ricardo, 57, a relançar as músicas "Louras Geladas", "Olhar 43" e "Rádio Pirata", clássicos do RPM, a banda responsável pelo disco de maior sucesso do rock nacional ("Rádio Pirata Ao Vivo", que vendeu 2,5 milhões de cópias em 1986).

O vocalista regravou as canções em um show em maio de 2018, mas não obteve autorização do tecladista Luiz Schiavon, coautor das músicas, para lançá-las num álbum e em DVD, como planejava.

Paulo Ricardo e Schiavon travam uma disputa judicial em torno do direito de exploração da marca RPM, bem como o de poder tocar os principais sucessos da banda. O guitarrista Fernando Deluqui e a família do baterista Paulo P.A. Pagni, morto em junho do ano passado, estão ao lado de Schiavon nos processos, nos quais não faltam acusações de má-fé de ambos os lados.

Acrônimo de Revoluções Por Minuto, o RPM foi a banda mais popular dos anos 80 no país. Despertava tanta histeria nos fãs que chegou a precisar se deslocar em carros-fortes. Virou até mesmo álbum de figurinha.

Hoje, Paulo Ricardo afirma que os antigos colegas tentam, com os processos, forçá-lo a retomar as turnês da banda, que, entre rachas e reconciliações, se apresentou pela última vez em 2017, em um navio.

"Uma realidade é inegável: o que conferiu projeção à banda no âmbito nacional e que tornou conhecidas as músicas foram a voz e a personalidade do Paulo Ricardo", diz a defesa do vocalista, em uma das ações.

"O cantor Paulo Ricardo é um artista que não consegue se sustentar com aquilo que produziu individualmente, mas apenas encostado nas criações de Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Pagni", afirmam os músicos no processo. "Suas músicas-solo não fizeram e não fazem sucesso."

A decisão da juíza Elaine Faria Evaristo foi dada em regime de urgência. Ela questiona se Schiavon deseja que seu nome seja inscrito no álbum e no DVD, a serem lançados pelas produtoras Radar Records e o Canal Brasil.

Schiavon ainda pode apresentar contestação à decisão.