PUBLICIDADE
Topo

Alexandre Frota é condenado por fake news na eleição

Alexandre Frota e o presidente Bolsonaro - Agência Câmara
Alexandre Frota e o presidente Bolsonaro Imagem: Agência Câmara
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

27/06/2020 10h31

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB) foi condenado pela Justiça de São Paulo a indenizar o bancário Gerson Florindo de Souza, ex-presidente do PT de Ubatuba, por fake news.

Durante as eleições de 2018, o ator gravou um vídeo em suas redes sociais afirmando que o petista se disfarçou de eleitor de Jair Bolsonaro e entrou numa igreja em Brasília para atacar e xingar Fernando Haddad.

Frota, que à época era correligionário de Bolsonaro, intitulou o vídeo de "A maracutaia do PT e de Haddad não funcionou". "Vejam só aonde chega a canalhice desse partido", dizia o ator, no vídeo. "Ele se disfarçou para tentar culpar os seguidores de Jair Bolsonaro por esse papelão."

Florindo, no entanto, conseguiu provar que não estava em Brasília no dia em que ocorreu o fato. "É seguro que ele não possui o dom da ubiquidade", ironizou a juíza Jane Franco Martins, da 40ª Vara Cível de São Paulo, referindo-se, em teologia, à faculdade divina de estar concomitantemente presente em toda parte.

O deputado federal, que rompeu com Bolsonaro, disse na CPI das Fake News que o presidente protege e financia "terroristas virtuais". Citado pela Justiça, Frota não apresentou defesa no processo movido pelo ex-presidente do PT.

O ator terá de pagar uma indenização de R$ 50 mil a Florindo de Souza, bem como publicar um texto em suas redes sociais fazendo a retificação.

Em sua decisão, a juíza disse que não decretou sigilo sobre o processo, pois a questão das fake news deve ser amplamente difundida e repudiada por todos os eleitores, cidadãos, candidatos, prestigiando-se a transparência e a verdade no pleito eleitoral".

Ainda cabe recurso.