PUBLICIDADE
Topo

Justiça determina a venda de Tarsila do Amaral por R$ 42,5 mi à vista

A obra "A Caipirinha", de Tarsila do Amaral - Reprodução
A obra "A Caipirinha", de Tarsila do Amaral Imagem: Reprodução
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

30/06/2020 10h31

Confiscada pela Justiça de um empresário falido, a obra "A Caipirinha", de Tarsila do Amaral (1886-1973), será colocada à venda nas próximas semanas por um preço de R$ 42,5 milhões. O pagamento, segundo a decisão da juíza Melissa Bertolucci, deve ser feito à vista.

A tela é considerada como um dos ícones do movimento modernista. Foi feita por Tarsila em 1923, um ano após a Semana de Arte Moderna.

"A Caipirinha" pertencia ao empresário Salim Taufic Schahin, envolvido no escândalo da Lava Jato. Ele era um dos sócios do grupo Schahin, que faliu em março de 2018, com dívidas estimadas em R$ 6,5 bilhões.

Desde 2015, Salim é alvo de um processo de cobrança por parte de 12 bancos, entre os quais o Itaú e o Bradesco, que exigem o pagamento de uma dívida avaliada hoje em cerca de R$ 2,3 bilhões.

A obra de Tarsila do Amaral, assim como outros bens de Salim, foi penhorada nesse processo e o valor obtido pela venda será utilizado para minimizar o prejuízo dos bancos.

Carlos Schahin, filho do empresário, tentou impedir o confisco da tela, alegando que comprou o quadro do pai em 2013, antes mesmo da cobrança feita pelos bancos. Como prova, apresentou um instrumento particular de compra e venda segundo o qual pagou R$ 240 mil ao pai na ocasião. A Justiça considerou que o negócio foi uma simulação.

O perito Cezar Roberto Olandim avaliou o quadro em R$ 42,5 milhões. "A obra encontra-se em bom estado de conservação, porém sofreu um processo de reentelação, que trata-se da aplicação de uma nova tela no verso da original", disse o perito em seu relatório. Por conta disso, segundo ele, informações importantes, tais como como manuscritos e dedicatórias, podem estar ocultados.

No ano em que a obra foi feita (1923), Tarsila passava uma temporada em Paris com seu namorado, o escritor Oswald de Andrade. Em carta enviada à família, disse: "Quero, na arte, ser a caipirinha de São Bernardo [fazenda onde a artista nasceu, à época distrito de Capivari, hoje Rafard (SP)], brincando com bonecas de mato, como no último quadro que estou pintando".

O quadro era "A Caipirinha".