PUBLICIDADE
Topo

Rogério Gentile

Justiça rejeita pedido de Cristian Cravinhos para ser esquecido

Os irmãos Cristian e Daniel Cravinhos de Paula e Silva e Suzane Louise von Richthofen  - Luciana Cavalcanti/Folhapress
Os irmãos Cristian e Daniel Cravinhos de Paula e Silva e Suzane Louise von Richthofen Imagem: Luciana Cavalcanti/Folhapress
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

22/08/2020 09h39

A Justiça negou pedido de indenização feito por Cristian Cravinhos pelo uso de sua imagem na série de TV "Investigação Criminal, produzida pela Medialand Produção e Comunicação.

Cristian, que alegou ter o "direito ao esquecimento", é um dos responsáveis pelo assassinato do casal Manfred e Marísia Richthofen, um dos crimes mais chocantes da história do país.

No dia 31 de outubro de 2002, Suzane Richthofen, de 18 anos, então estudante de Direito da PUC-SP, abriu a porta da casa da família para que Cristian e seu irmão, Daniel Cravinhos, matassem os pais dela a pauladas.

Condenado a 38 anos de prisão, Cristian queria R$ 500 mil de indenização pela utilização na série de 12 fotografias com a sua imagem. Além da produtora, são alvos do processo a Netflix, a Amazon e a Looke.

"Isso causa danos enormes ao Cristian", disse à Justiça seu advogado Valdir Rodrigues de Sá. "Se esta série continuar relembrando este caso triste na vida dele, quando poderá ser esquecido? Nunca, é uma afronta ao seu direito." Para o advogado, Cristian deveria poder, após cumprir sua pena, "levar uma vida normal sem ter o olhar da sociedade o condenando".

O juiz Luiz Gustavo Esteves não concordou com a argumentação. Em sua sentença, afirmou que a sociedade tem o direito de manter a sua memória. "A série não macula a imagem de Cristian, apenas divulga fatos que possuem interesse público."

Cabe recurso à decisão.