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Rogério Gentile

Após nove anos, mulher que atropelou Vitor Gurman em SP será julgada

Vítor Gurman, 24, que morreu atropelado na Vila Madalena em julho de 2011 - Reprodução/Facebook
Vítor Gurman, 24, que morreu atropelado na Vila Madalena em julho de 2011 Imagem: Reprodução/Facebook
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

19/11/2020 12h40Atualizada em 19/11/2020 19h19

O administrador de empresas Vitor Gurman, de 24 anos, caminhava pela calçada da rua Natingui, na Vila Madalena, cidade de São Paulo, quando foi atropelado por uma Land Rover.

Depois de atingir o rapaz, o carro ainda derrubou um poste de iluminação e capotou. Submetido a uma cirurgia ainda naquela madrugada do dia 23 de julho de 2011, Vitor não resistiu.

Nove anos depois, a nutricionista Gabriela Guerrero Pereira vai a julgamento, acusada de homicídio culposo (sem intenção). O Ministério Público afirma que a Gabriela dirigia a uma velocidade incompatível, entre 62 km/h e 92 km/h, sendo que as placas de trânsito na via indicavam que o máximo permitido eram 30 km/h.

A Promotoria diz também que a nutricionista estava sob efeito de álcool. Na denúncia apresentada à Justiça, o promotor Goiaci Leandro Júnior destaca que a pista estava seca e que não havia veículo, objeto, pessoas ou animais que pudessem ter atrapalhado a condução do veículo.

Originalmente, o Ministério Público havia denunciado Gabriela por homicídio doloso (intencional), alegando que, ao dirigir após beber, ela assumiu o risco de que poderia atropelar e matar alguém. A Justiça, no entanto, não aceitou a classificação.

Defesa contesta laudo de embriaguez da motorista

Nas alegações finais, apresentadas em 30 de outubro, Jairo Gurman, pai de Vitor, lembra que a nutricionista admitiu ter bebido em interrogatório e que laudo do Instituto Médico Legal confirmou que ela estava alcoolizada.

A defesa de Gabriela diz que a nutricionista não estava embriagada e que o laudo informou que estava com todos os seus reflexos normais. "O laudo de constatação de embriaguez concluiu que Gabriela Guerrero estava absolutamente consciente, com todas as suas funções sensoriais em pleno funcionamento", afirmou à Justiça o advogado José Luis Oliveira Lima. Apenas o hálito estava "discretamente etílico", pois teria bebido apenas um drinque, atesta a defesa.

O advogado disse ainda que a nutricionista não estava em velocidade excessiva e que o laudo pericial teve como base elementos inexatos, o que resultou "em conclusões precipitadas". "Os resultados obtidos pelos peritos não são confiáveis", afirmou o advogado à Justiça.

O processo criminal deve ser julgado nos próximos dias. Se condenada, Gabriela pode pegar uma pena de dois a quatro anos de detenção. Como o atropelamento ocorreu na calçada, a pena pode ser aumentada em mais um terço.

Na área civil, Gabriela e o namorado, Roberto de Souza Lima, que era o dono do veículo e estava no banco do passageiro, já foram condenados a pagar uma indenização de cerca de R$ 1,2 milhão para a família de Vitor.

A coluna tentou falar com Gabriela, mas foi informada pela pessoa que atendeu a ligação em seu número residencial que a nutricionista não teria nada a declarar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.