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Rogério Gentile

Juíza manda filho de fundador das Casas Bahia passar por exame psicológico

Saul Klein - Divulgação/Prefeitura de Araraquara
Saul Klein Imagem: Divulgação/Prefeitura de Araraquara
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

27/12/2020 08h00Atualizada em 28/12/2020 06h34

O empresário Saul Klein, 66, terá de se submeter a uma perícia psicológica por decisão da Justiça de São Paulo.

A ordem para a realização do exame foi dada pela juíza Daniela Leal em um processo movido por Philip Klein, filho do empresário, que pediu a interdição do pai alegando que ele está dilapidando seu patrimônio de forma "acelerada" e "inconsequente".

Philip afirma que Saul, filho do fundador da Casas Bahia, possuía uma fortuna de mais de R$ 1,5 bilhão. Mas que, para sua surpresa, o pai, que foi candidato a vice-prefeito em São Caetano, declarou à Justiça eleitoral possuir somente R$ 61 milhões.

"Isto sugere que ele gastou R$ 1,4 bilhão" nos últimos anos, disse Philip à Justiça, afirmando que o pedido de interdição é uma medida necessária para evitar que o pai vá à ruína.

Segundo afirmou à Justiça, o pai tem "jogado dinheiro fora", "doando vultosos valores" ao time de futebol São Caetano. "Ele deve ser interditado como uma medida de proteção aos seus próprios interesses", declarou.

O pedido de interdição foi feito no dia 28 de outubro. No início de dezembro, Saul Klein teve de entregar seu passaporte à Justiça após ser acusado de aliciar e estuprar 14 mulheres em festas em sua casa, em Alphaville, desde 2008.

Ao comentar as denúncias em reportagem publicada pela Folha na semana passada, a defesa do empresário disse que ele não cometeu os crimes e que é vítima de um grupo organizado que se uniu com o objetivo de enriquecer ilicitamente às custas de Saul, por meio de realização de ameaças e da apresentação de acusações falsa à Justiça.

Afirmou ainda que o empresário é um "sugar daddy", termo que descreve homens que têm fetiche em sustentar financeiramente mulheres jovens em troca de afeto e sexo. O Ministério Público investiga o caso, que corre em segredo de Justiça.

A coluna procurou os advogados do empresário para tratar do pedido de interdição feito por seu filho, mas ainda não obteve resposta.

A perita Mery Pureza Candido de Oliveira terá 30 dias para realizar o laudo psicológico. O oficial de justiça encarregado de intimar o empresário ficou incumbido pela juíza de descrever também as condições e o estado de saúde de Saul.