PUBLICIDADE
Topo

Rogério Gentile

Record chama jovem agredida pelo namorado de prostituta e assassina

Logo da Record TV (Reprodução) - Reprodução / Internet
Logo da Record TV (Reprodução) Imagem: Reprodução / Internet
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

28/04/2021 09h49

A TV Record foi condenada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a pagar R$ 100 mil de indenização a uma jovem tratada como prostituta e assassina em uma reportagem exibida pelo "Cidade Alerta".

Em maio de 2015, G.B. foi a um hotel com o namorado. Inconformado com o fato de a garota desejar terminar o relacionamento, o homem a atacou com um canivete e depois se suicidou.

Dois dias depois, a emissora exibiu uma reportagem na qual a responsabilizava pela morte do rapaz. G.B, que era menor de idade à época, ainda foi chamada de "garota de programa" e teve seu rosto exibido na TV. Além disso, a Record divulgou o número do telefone da mãe da jovem.

Na defesa que apresentou à Justiça, a emissora afirmou que a informações divulgadas na reportagem, "de interesse público", haviam sido obtidas com a polícia e que, em razão disso, não tinha motivo, à época, para duvidar da autenticidade.

Declarou ainda que as imagens exibidas no programa, do sistema interno de vídeo do estabelecimento, não eram nítidas, impossibilitando a identificação da garota.

O desembargador Pedro de Alcântara da Silva Leme Filho, relator do processo no TJ-SP, disse que G.B. foi exposta à opinião pública por uma reportagem de caráter sensacionalista e desvinculada da realidade. Considerou também que a garota estava identificável, sim, nas imagens, sobretudo por quem a conhece.

O magistrado concordou com a sentença da primeira instância, segundo a qual a emissora deveria ter apresentado o boletim de ocorrência, o relatório do inquérito, uma testemunha ou qualquer outro documento que provasse que a reportagem havia sido baseada na versão da polícia. Mas nada disso foi feito, destacou.

Além dos R$ 100 mil de indenização, a emissora terá de pagar mais R$ 50 mil para a mãe de G.B. por ter divulgado o seu telefone na reportagem.

Cabe recurso à decisão.