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Rogério Gentile

Bolsonarista é condenado a pagar R$ 10 mil por fake news contra a Band

Imagem ilustrativa de teclado projetando fake news - Divulgação
Imagem ilustrativa de teclado projetando fake news Imagem: Divulgação
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

15/06/2021 09h36

O youtuber bolsonarista Alfredo Bessow foi condenado pela Justiça de São Paulo a pagar uma indenização de R$ 10 mil à Rede Bandeirantes em razão da publicação de uma fake news sobre a emissora.

Em março do ano passado, Bessow, do "Canal de Brasília", gravou um vídeo dizendo que a Band estava criticando o presidente Jair Bolsonaro por determinação do governo chinês, que, segundo ele, era proprietário da emissora.

No vídeo, intitulado "Ataques a Bolsonaro: Dono chinês determinou e Band aceitou", ele afirma que o editorial da Band é ditado pela China e que tal fato deveria ser investigado, já que um veículo de comunicação não pode ser controlado por órgão de país estrangeiro. "Fôssemos nós um país sério, na segunda-feira seria criada uma CPI."

O advogado André Marsiglia Santos, que representa a emissora, disse à Justiça que "houve total falta de compromisso com a verdade e, sobretudo, com a ética". A gravação, afirmou, traz informações inverídicas, "mero achismo", com o "propósito inegável de ofender e afetar a reputação e a credibilidade" da Band.

A afirmação de Bessow sobre a emissora foi feita após a Bandeirantes anunciar um acordo de cooperação com a China Media Group, que reúne os veículos de comunicação estatais do país, apenas para o compartilhamento de conteúdo audiovisual, jornalístico e cultural.

Acordo semelhante havia sido fechado em novembro de 2019 pelo governo Bolsonaro para a troca de conteúdo entre a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e a China Media Group.

Na defesa apresentada à Justiça, Bessow afirmou que publicou reportagem baseada em "fatos verdadeiros" e que, "se houve algum mal-entendido na divulgação", não se pode dizer que houve danos à imagem da emissora. De acordo com ele, não houve "disseminação de fake news".

A juíza Andrea Ferraz Musa, na sentença que condenou o youtuber por danos morais, declarou que, ao sustentar a tese de que o governo chinês era proprietário da Band, Bessow tinha a obrigação de trazer elementos que indicassem a veracidade da afirmação, "mas não o fez".

"Ele teve somente a intenção de divulgar conteúdo bombástico, com possibilidade de gerar prejuízo à emissora", afirmou a juíza.

O youtuber ainda pode recorrer da decisão.

No ano passado, por divulgar fake news semelhante, Bernardo Küster, outro youtuber bolsonarista, foi condenado a publicar uma resposta da Band em seu canal na rede social.