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Rogério Gentile

Pai de santo é acusado de aplicar golpe espiritual de R$ 272 mil

Balança da justiça - iStock
Balança da justiça Imagem: iStock
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

10/11/2021 11h05

O Ministério Público de São Paulo acusa o pai de santo Flávio Pedro Fernandes de aplicar um golpe na aposentada V.Z.B., de 62 anos, cobrando-lhe R$ 272 mil por trabalhos espirituais.

De acordo com a acusação, em razão do falecimento dos pais e do marido em um curto período de tempo, a aposentada estava emocionalmente desestabilizada e foi apresentada ao pai de santo em 2018 por uma sobrinha.

No começo, segundo o Ministério Público, a fim de conquistar a confiança da aposentada, Fernandes fazia o atendimento espiritual gratuitamente. Depois de um certo tempo, porém, sempre de acordo com a denúncia, passou a dizer que o filho e amigos da mulher corriam o risco de morrer de câncer ou em um acidente, mas que poderia salvá-los.

Só que, para isso, a aposentada precisaria pagar pelo serviço. "O pai de santo somente pedia dinheiro quando estava incorporado", disse o promotor José Eduardo Pimentel à Justiça. "Uma dessas entidades, o 'Zebu', dava-lhe muito medo." A aposentada fez quatro depósitos para o pai de santo, todos no mês de julho de 2018, repassando-lhe um total de R$ 272 mil.

Com o tempo, no entanto, conforme o relato que fez à Justiça, ela foi percebendo que não ocorriam melhoras significativas na sua vida e passou a desconfiar de que fora vítima de um golpe. Sem novos pagamentos, disse, ele se afastou. "Fui iludida", afirmou.

O processo está para ser analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O pai de santo foi condenado em primeira instância por conta dessa acusação no mês de abril, mas recorreu da decisão.

Em depoimento, ele negou ter enganado a aposentada, dizendo que em momento algum prometeu resultados práticos em virtude dos conselhos espirituais. Disse também que nunca proferiu ameaças.

Fernandes afirmou ainda que a sua religião permite a cobrança pelo atendimento espiritual, disse que informou previamente que o valor seria alto e que ela, "em sã consciência", se dispôs a fazer os pagamentos.

Procurado pela coluna, o advogado Marcelo Borrasco, que representa o pai de santo, reafirmou que Fernandes não prometeu qualquer tipo de "bem concreto" à aposentada e que ele não fez ameaças. Disse estranhar também que a aposentada tenha reclamado à polícia apenas quatro meses após o fim do tratamento espiritual.

"Ora, uma pessoa que se diz enganada e que teria tido um prejuízo de mais de R$ 200.000,00 não demoraria tanto. Isso denota que, talvez, ela tenha tido um mero arrependimento por ter contratado os serviços", afirmou.