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Rogério Gentile

Justiça penhora contas bancárias de Romário para pagar ex-presidente da CBF

Romário - GettyImages
Romário Imagem: GettyImages
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

09/11/2021 09h19

A Justiça paulista penhorou cerca de R$ 23 mil das contas bancárias do senador Romário (PL-RJ).

A ordem foi data porque o ex-atleta foi condenado a indenizar por danos morais o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Marco Polo Del Nero, mas não fez o pagamento dentro do prazo estabelecido pela Justiça.

Em 2017, Romário chamou Del Nero de "mau-caráter", "corrupto", "safado" e "ladrão" em uma entrevista ao programa "Bem Amigos", da SporTV.

No processo aberto contra Romário, Del Nero afirmou que o ex-atleta concedeu a entrevista com o propósito de "macular" a sua imagem e que não existe justificativa para "uma adjetivação tão pesada". Declarou que os insultos foram uma represália pelo fato de a CBF não ter atendido o pedido do ex-jogador para controlar o futebol feminino no país.

Romário defendeu-se dizendo que não teve a intenção de ofender a honra do ex-presidente da CBF. Afirmou também que, como senador, tem imunidade parlamentar e que as declarações foram dadas no contexto da CPI do Futebol.

"Nessa entrevista, o senador, como presidente da CPI, relatou quais foram os desfechos e conclusões que ocorreram na comissão e [explicou] por que não houve indiciamento de nenhum dos investigados", afirmou a sua defesa à Justiça.

Seis meses depois da entrevista, o dirigente esportivo foi banido do esporte pela Fifa sob acusação de corrupção. À época, Del Nero se disse surpreso e indignado com a decisão da entidade.

O processo de indenização por danos morais já transitou em julgado, ou seja, Romário não pode mais recorrer.

A ordem de penhora foi dada pelo juiz Regis de Castilho Barbosa Filho, da 41ª Vara Cível de São Paulo.

Romário tentou evitar a medida declarando que o valor penhorado é um recurso proveniente da cota para o exercício da atividade parlamentar. De acordo com o senador, essa verba não pode ser penhorada e a medida tomada é ilegal.

O juiz não aceitou a argumentação, mas o senador ainda pode recorrer desta decisão.