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Rogério Gentile

REPORTAGEM

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Universal diz que Andressa Urach é ingrata e mente para enriquecer

Andressa Urach - Instagram/@andressaurachoficial
Andressa Urach Imagem: Instagram/@andressaurachoficial
Rogério Gentile

Rogério Gentile é jornalista formado pela PUC-SP. Durante 15 anos, ocupou cargos de comando na redação da Folha de S.Paulo, liderando coberturas como a dos ataques da facção criminosa PCC, dos protestos de 2013 e das eleições presidenciais de 2010 e 2014, entre outras. Editou a coluna Painel e o caderno Cotidiano e foi secretário de Redação, função em que era responsável pelas áreas de produção e edição do jornal. Atuou como repórter especial da Folha de 2017 a 2020 e atualmente é colunista.

Colunista do UOL

15/03/2022 11h11Atualizada em 15/03/2022 14h06

A Igreja Universal do Reino de Deus disse à Justiça que a modelo Andressa Urach mente ao declarar que as doações que fez à instituição ocorreram após ter sofrido "coação" de pastores e "lavagem cerebral".

A modelo cobra na Justiça do Rio Grande do Sul a devolução de cerca de R$ 2 milhões em doações, feitas à Universal entre 2015 e 2019.

Andressa disse no processo que foi "abduzida" pela Igreja após um problema grave de saúde e que, "iludida pelas promessas de solução espiritual", passou a contribuir financeiramente com a Universal, o que lhe teria causado "a perda desenfreada do seu patrimônio".

"Fui iludida, ludibriada, enganada e escancaradamente roubada pela Igreja, durante um momento de total fraqueza", afirmou na ação.

Além da devolução das doações, ela exige uma indenização por danos morais. Segundo a modelo, foram doados quatro veículos (Porshe Cayenne, Land Rover Evoque, Renaut Fluence e Hyunday i30) e R$ 1,5 milhão em dinheiro.

Ao se defender à Justiça, em documento apresentado no final de fevereiro, a Universal declarou que o processo é um ato "maquiavelicamente" criado pela modelo para se promover. Disse que Andresa é ingrata e que busca "enriquecer ilicitamente" às suas custas.

A Universal afirmou que Andressa frequentou a Igreja por mais de cinco anos e que o auxílio espiritual lhe trouxe "paz, conforto, mudança de vida, princípios, diretrizes racionais e ascensão financeira".

A Igreja de Edir Macedo afirmou que Andressa ganhou muito dinheiro ao escrever um livro contando sobre a sua conversão espiritual e que fez as doações por livre vontade.

"É evidente que tinha condições de discernir e poderia ter deixado de frequentar a Igreja", afirmou. "Porém, estranhamente, somente o fez após cinco anos de convivência e do lançamento de dois livros narrando sua biografia."

Os advogados da Universal anexaram ao processo uma entrevista segundo a qual Andressa disse que as doações foram uma "questão de consciência", pois se tratava de dinheiro sujo, proveniente da prostituição.

De acordo com eles, a ação é uma "infeliz tentativa" de Andressa de se promover pessoal e profissionalmente às custas da Universal.

Em setembro do ano passado, em um primeiro documento enviado à Justiça, a Igreja já havia declarado que Andresa agia com "má-fé" ao dizer que, em razão das doações feitas à Universal, não tinha condições nem mesmo de arcar com as taxas judiciais que são cobradas para o andamento do processo (cerca de R$ 50 mil) no Rio Grande do Sul.

Andressa respondeu à época que a Universal "faltava com a verdade".

O processo ainda não foi julgado.