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Guedes deflagra 'operação de guerra' devido à derrota na votação do BPC

Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e Paulo Guedes: operação de guerra para crise na economia - Marcos Brandão/Agência Senado
Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e Paulo Guedes: operação de guerra para crise na economia Imagem: Marcos Brandão/Agência Senado
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

11/03/2020 22h05

O ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu e conseguiu uma reunião emergencial com os líderes partidários na noite desta quarta-feira, depois que o Congresso derrubou o veto presidencial ao pagamento dobrado do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A reunião foi marcada depois de telefonema do ministro para os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Participaram líderes governistas e da oposição chamados às pressas ao plenário 1 da ala de comissões da Câmara por volta das 20h30.

Guedes abriu a reunião pintando um quadro negro para a economia do país com a derrubada do veto. Ele disse que, por si só, a decisão provocará um rombo de R$ 20 bilhões nas contas públicas de 2021, ameaçando com o rompimento do teto de gastos determinado pela Constituição.

Depois do ministro, falou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Ele acrescentou que se a economia já sofreria com a aprovação do novo BPC, o quadro piora ainda devido à crise internacional provocada pelo novo coronavírus.

Segundo presidente do Banco Central disse aos líderes, ainda não é possível prever o "tamanho do estrago" que a pandemia causará na economia global, mas inevitavelmente ela terá reflexos no Brasil, especialmente sobre o setor de serviços, a produção industrial e a exportação de commodities.

O terceiro representante do governo a falar foi o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Ele disse que na próxima semana o coronavírus no Brasil entrará no estágio de "transmissão sustentada" que é quando se detecta que a doença já está sendo retransmitida pelo menos cinco vezes.

"É o chamado nexo causal repetido cinco vezes", disse o ministro na reunião, referindo-se ao fato de os agentes de saúde conseguirem detectar o causador da transmissão em determinado paciente, numa sequência de cinco contaminações.

Mandetta levou os mesmos quadros de evolução do vírus em outros países, que apresentou na sessão da Câmara nesta tarde. Segundo ele, será inevitável que a mesma explosão de crescimento da transmissão ocorra no Brasil.

Para os líderes, ele citou o fato de que a doença no Brasil começou em maior escala nas duas principais metrópoles do país, Rio de Janeiro e São Paulo, e que isso é "um agravante".

O ministro está pedindo ao Congresso pelo menos R$ 5 bilhões a mais no Orçamento do Ministério da Saúde para a instalação de novos postos de saúde e leitos para o coronavírus.

Até as 21h40 a reunião ainda prosseguia e não havia solução apontada para o problema fiscal.
Rodrigo Maia e Alcolumbre vislumbram na crise uma possibilidade de negociar a solução para as manifestações do dia 15 contra o Congresso, convocadas por Bolsonaro e seus aliados.

A utilização das tais emendas impositivas do relator do Orçamento na Saúde, por exemplo, pode suspender o discurso dos bolsonaristas de que o Congresso colocou "uma facada no pescoço" do presidente da República.

Seja qual for a solução apontada, a novela promete ainda novos e excitantes capítulos antes da votação de todos os vetos e PLNs (projetos de Lei do Congresso Nacional) relativos ao Orçamento de 2020 que ainda estão em votação.