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Afinal, os bolsonaristas têm ou não maior relevância nas redes sociais?

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

21/04/2020 04h00

Na quinta-feira, 16, este blog publicou levantamento realizado pela FSBinfluênciaCongresso apontando que os posts de políticos bolsonaristas nas redes sociais alcançam maior relevância do que os dos demais políticos.

Para se calcular a nota de cada parlamentar e construir o ranking, foi usada uma metodologia que levou em consideração o número de seguidores, a quantidade de publicações, o alcance das publicações e o engajamento (curtidas, comentários e compartilhamentos) em cada rede social.

Vieram muitas mensagens contestando o método aplicado. Confesso que não sou especialista no assunto. Então corri atrás

Recebi explicações da jornalista Kátia Cubel que me chamaram atenção. A amiga Kátia, uma profissional experiente, jornalista e diretora da Engenho Comunicação, é analista de redes sociais e marketing digital, e faz mestrado em Neuromarketing.

Pedi que colocasse no papel (papel? isso ainda existe?) seus argumentos e ela escreveu o excelente artigo que reproduzo logo abaixo. Deixo para você, leitor a conclusão —a partir desta aula— se os bolsonaristas têm mesmo maior relevância nas redes do que os demais políticos.

O QUE FAZ DIFERENÇA NAS REDES SOCIAIS

Autora: Kátia Cubel

Nas redes sociais, a relevância e a influência digital vêm da repercussão que o conteúdo gera. Fazer a diferença está além do número de seguidores ou da quantidade de postagens feita pelo titular do perfil ou da fan page. Numa linguagem digital, a conversão é o que conta. Só tem influência mesmo se quem posta mobiliza sua audiência, fazendo-a reagir: com likes, comentários e compartilhamentos, a favor ou contra.

Um protagonista que tem 20 mil seguidores e 10 ou 15 interações com suas postagens influencia menos que aquele que congrega cinco mil seguidores e 150 likes em suas manifestações. Cada curtida conta. Comentário vale mais que curtida. E compartilhamento mais do que os dois anteriores. Compartilhar é dar o aval, é assinar embaixo do conteúdo produzido por um terceiro, exibindo-o também em sua própria timeline. No caso do Twitter usa-se outra expressão: RT, ou retuitar. Essa reação define o alcance e a capilaridade de cada mensagem. E é o fator que gera os chamados Trending Topics, que são os assuntos em destaque num determinado período de tempo.

Há duas formas principais de conquistar audiência, que é o número de seguidores de cada perfil. A alternativa mais rápida é promover uma campanha, uma ação que demanda investimento financeiro junto à plataforma, para atrair novos seguidores. Por esse método, há investimento em dinheiro, para impulsionar postagens e angariar seguidores. O objetivo, nesse tipo de ação, é juntar muita gente, para fazer volume e aparentar ter uma audiência numericamente de prestígio.

Entretanto, dificilmente essa aglomeração digital gera relevância. Porque muitos dos seguidores tiveram um interesse instantâneo, artificialmente provocado. Em sua maioria, permanecerão ali, mas sem identidade, empatia ou fidelidade com as mensagens que o titular da página vier a difundir. Não irão reagir nem interagir. Vão fazer volume, mas sem nenhuma expressão ou relevância.

O caminho mais sólido nas redes sociais é o crescimento orgânico: aquele que atrai pessoas espontaneamente, pelo real interesse que desperta. A afinidade resulta tanto do conteúdo quanto da estratégia para sua abordagem. E cada rede social tem características próprias.

No Twitter, há debates e discussões. No Linkedin, posicionamento institucional, com mensagens sobre a trajetória profissional e acadêmica. É uma plataforma para networking. No Instagram tem de tudo, mas preferencialmente conteúdos aspiracionais, com imagens de impacto como protagonista. No Facebook, a principal rede social do mundo ocidental, há assuntos de interesse transgeracional, como num encontro familiar de domingo.

O que todas as redes sociais têm em comum é o ponto de atratibilidade. Êxito na atuação digital depende da reação dos seguidores. Confiança, engajamento e lealdade resultam de um conteúdo que importa. Seja porque o público está de acordo, ou porque está diametralmente contra.

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Kátia Cubel,

Jornalista, diretora da Engenho Comunicação, mestranda em Neuromarketing, analista de redes sociais e marketing digital e presidente do Prêmio Engenho de Comunicação.