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Tales Faria

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Zarattini: "Lira fechou com Bolsonaro e será fiel; eu jamais votaria nele"

12.abr.2017 - Carlos Zarattini - Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
12.abr.2017 - Carlos Zarattini Imagem: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

03/02/2021 14h37

Em seu discurso como candidato durante a sessão de eleição do presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL) citou o ex-líder do PT Carlos Zarattini (SP). Citou e fitou-o profundamente. Deu a entender aos colegas que podia haver algum acerto com o petista. O rumor no plenário era de que partira da bancada do PT paulista a maior resistência a apoiar a candidatura ao comando da Casa de Baleia Rossi, um emedebista de São Paulo. Em conversa com o blog, Zarattini confirma ter havido no partido quem defendesse aliança com Lira, mas nega terminantemente que este seja seu caso. "Ele sabe muito bem que não votaria nele", disse numa rápida entrevista ao UOL. Leia abaixo:

Pareceu que o Arthur Lira estava lhe seduzindo quando, no discurso como candidato a presidente da Câmara, citou o senhor, olhando-o profundamente. Qual foi o motivo daquilo?

Carlos Zarattini - Ele sabe muito bem que eu não votaria nele. O Arthur me citou porque fomos líderes de bancada na mesma época e ele queria falar para a bancada do PT naquele momento. Mas sabe que, dentro do partido, eu fui um dos maiores defensores da candidatura do deputado Baleia Rossi (MDB). Ajudei a aprovar, logo no início do debate interno, que nós não votaríamos num candidato ligado ao Bolsonaro.

Havia no PT muita gente defendendo apoio a Lira e não ao Baleia. Não é mesmo?

Zarattini - Eu não diria que havia muita gente. Eu diria que havia alguns deputados, que não conseguiram lograr, nem ampliar esse apoio dentro do partido. Um número restrito de deputados que foi derrotado no debate político interno.

Será que ele agora vai atrair alguém da bancada para apoiar sua gestão à frente da Câmara?

Zaratttini - Eu não acredito. O governo não vai dar colher de chá para deputado do PT. Se algum deputado nosso entrar nessa ilusão vai durar pouco, porque a tendência é exatamente não ter a liberação de absolutamente nada para o Partido dos Trabalhadores.

Mas deu pra fechar agora um acordo sobre a Mesa da Câmara. Nisso ele cedeu. Não?

Zarattini - Ele foi obrigado a fechar um acordo, senão a situação ficaria muito ruim. Seriam 200 deputados que não se sentiriam representados na Mesa Diretora. Por conta disso ele teve que reabrir a discussão e adotar um acordo que, inclusive, não se ampara em nenhum regimento. Foi um acordo político.

Como o sr acredita que será a relação do Lira com o governo? Como ficará a Câmara?

Zarattini - Ele mesmo fala que é um cara de palavra. Então, é evidente que ele deu a palavra dele para o governo. Não deu para a oposição. Então é evidente que ele vai tentar encaminhar aqui a pauta do governo.