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Tales Faria

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Em gravação antes da morte por covid, assessor culpa deputado e Bolsonaro

Deputado José Medeiros (Podemos-MT) e o presidente Jair Bolsonaro - Reprodução
Deputado José Medeiros (Podemos-MT) e o presidente Jair Bolsonaro Imagem: Reprodução
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

21/05/2021 15h04

O deputado José Medeiros (Podemos-MT) atribui à "vingança de um ex-assessor que demiti" a gravação que circula na internet em que outro ex-assessor, o advogado José Roberto Feltrin, o responsabiliza e ao presidente Jair Bolsonaro por não ter sido vacinado contra a covid-19.

Feltrin atuava como assessor parlamentar no gabinete do deputado. Morreu na última terça,18, aos 55 anos, vítima de complicações decorrentes do coronavírus.

"Eu estou mal para caramba. A culpa é desse capitão bunda suja (sic) que não comprou vacina para nós", diz o advogado na gravação, referindo-se a Bolsonaro. "Esse tal Medeiros também é responsável por tudo que está acontecendo com o povo brasileiro (...). Esse cara vem apoiando esse governo genocida, que vem sabotando a vacina desde o início. Já era para ter vacina para nós, para pessoas da minha idade e não tem", acusou.

O deputado disse à coluna que não sabe de que forma a gravação foi feita. Acredita que Feltrin não tenha autorizado. Diz que "é obra" de um ex-chefe de gabinete cujo nome não revelou. "Ele brigou com todo mundo, quis mandar em tudo aqui e tive que afastá-lo", argumentou.

"Tenho certeza de que o Feltrin foi traído. Não quero fazer maiores comentários em memória dele. Uma pessoa muito ponderada, honesta. Sei que, se estivesse vivo, estaria defendendo-me", disse José Medeiros.

No dia da morte do assessor, Medeiros lamentou em post nas redes sociais:

Vale alertar que é forte o áudio. Se quiser mesmo ouvir, eis abaixo: