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Tales Faria

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Juntos, Pazuello e Flavio Bolsonaro retomam de Queiroga a Saúde no Rio

O senador Flávio Bolsonaro bateu boca com o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel, quando este foi depoor na CPI da Covid-19 - Reprodução
O senador Flávio Bolsonaro bateu boca com o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel, quando este foi depoor na CPI da Covid-19 Imagem: Reprodução
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

18/06/2021 15h55

Toma posse nesta sexta-feira como superintendente do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro o coronel médico Pedro Pinheiro. Por indicação do então ministro, Eduardo Pazuello, ele havia assumido o comando do Departamento de Economia da Saúde, Investimentos e Desenvolvimento do Ministério, onde estava até agora.

Pinheiro é amigo de George Divério, um militar que também é amigo de Pazuello há 40 anos, mas foi afastado há algumas semanas do cargo de superintendente. O Jornal Nacional, da TV Globo, divulgou que ele aprovou contratos suspeitos para reformar prédios administrativos durante a pandemia.

Essas suspeitas no Rio de Janeiro levaram a CPI da Covid-19 a aprovar a quebra do sigilo do ex-ministro. Em depoimento na CPI, o ex-governador Wilson Witzel reforçou as suspeitas dos senadores, o que resultou nos pedidos de quebra de sigilo de seis Organizações Sociais que ele listou.

À CPI, Witzel acrescentou que quem mandava na área de saúde do Rio de Janeiro era o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). De fato, o domínio de Flávio Bolsonaro sobre o setor é voz corrente entre os políticos fluminenses.

Ao assumir como ministro, Pazuello entrou em acordo com o filho do presidente para nomear Divério como superintendente. Coube ao senador a indicação do médico Marcelo Lamberti para o cargo de superintendente substituto.

Divério e Lamberti romperam em meio ao escândalo. E o atual ministro, Marcelo Queiroga, aproveitou para tentar tomar conta da área afastando o superintendente.

"Naturalmente que não compete ao ministro da Saúde fazer o juízo de valor nesse momento de culpabilidade ou não daquele agente público, mas diante do que foi suscitado no Jornal Nacional em uma matéria que ficou pública mais de uma vez, o ministro da Saúde tomou a decisão que deveria tomar, exonerar o servidor sem nenhum prejuízo em relação à ampla defesa", divulgou Queiroga à época.

Mas durou pouco a tentativa do ministro de assumir o comando de sua pasta no Rio. O novo superintende, Pedro Pinheiro, é homem da confiança de Pazuello e de Divério e assume com as benção de Flávio Bolsonaro.

Com as quebras de sigilo, os senadores querem saber quem esteve e quem está agora, afinal, por trás da gestão das Organizações Sociais ligadas à área de saúde e dos hospitais federais no estado. E se Bolsonaro e seus filhos têm relação com as instituições.

Para completar o cerco, nesta sexta-feira, 18, o comando da CPI tirou de Pazuello e Queiroga o status de simples testemunhas, promovendo-os à categoria de investigados.