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Tales Faria

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

É fake Bolsonaro dizer que teve um encontro maravilhoso com Biden

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

10/06/2022 17h29Atualizada em 10/06/2022 18h22

Tem tudo para ser uma versão fake, ou, no mínimo, exagerada, essa que o presidente da República, Jair Bolsonaro, deu a entender para seu encontro com o norte-americano, Joe Biden, de que foi tudo maravilhoso. "Saí maravilhado", disse o brasileiro.

"Foi uma conversa bastante franca. Muitas coisas técnicas, estratégicas, que infelizmente vocês não vão tomar conhecimento. Mas é muito bom, para além do Brasil ou EUA. É muito bom para o mundo", festejou enigmático.

Ou seja: o presidente dos EUA teria dado a Bolsonaro uma informação de grande importância para o mundo todo. Isso depois de o chefe de Estado do Brasil ter hostilizado o quanto podia ao norte-americano, antes deste ser eleito e mesmo depois, não reconhecendo sua vitória sobre Donald Trump. Este sim o predileto de Bolsonaro.

Dá para acreditar?

Tem mais uma questão em torno dessa declaração do Bolsonaro: quando ele diz que nós não vamos tomar conhecimento dos detalhes da conversa dos dois. Essa história de não tomar conhecimento de reuniões e encontros oficiais do presidente da República é coisa do Brasil na gestão Bolsonaro.

Aqui, ele manda colocar tudo sob sigilo de cem anos, até mesmo seu cartão de vacinação. Mas nos EUA não é assim. Num prazo bem menor que este o governo norte-americano costuma liberar informações sobre reuniões oficiais do presidente.

O que ocorreu foi que Biden precisou da presença de Bolsonaro na Cúpula das Américas para tentar abafar as ausências de Venezuela, Cuba e Nicarágua e dos presidentes do México, de Honduras, Guatemala e El Salvador. A diplomacia brasileira propôs um acordo: Biden evitava maltratar Bolsonaro e o brasileiro estaria presente.

O norte-americano aceitou o teatrinho, mas, relacionamento mesmo vamos ver lá na frente, quando houver o encontro bilateral dos chefes de Estado. Se houver.