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Thaís Oyama


Nota das Forças Armadas complica situação de ministro da Defesa

O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva: para Bolsonaro, falta "empenho" - Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva: para Bolsonaro, falta "empenho" Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

04/05/2020 20h33

Desde a semana passada, já se dizia no Palácio do Planalto sobre o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que sua "batata estava assando".

Para os críticos do general, ele estaria mais preocupado em manter uma boa relação com o Supremo Tribunal Federal, por exemplo, do que em defender o governo num momento em que Bolsonaro tinha movimentos tolhidos por determinação de ministros da Corte, como Alexandre de Moraes, cuja decisão em caráter liminar barrou a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para a direção da Polícia Federal.

Quando Bolsonaro ameaçou manter a posse do delegado amigo da família à revelia da ordem judicial de Moraes — a "quase crise institucional" a que o próprio presidente se referiu em conversa com apoiadores — Azevedo e Silva foi um dos "bombeiros" que atuou para dissuadi-lo da ideia. Mas a postura do ministro da Defesa não foi interpretada como uma atitude apenas conciliatória. Setores do Planalto avaliaram que, uma vez mais, o general se limitava a defender Bolsonaro "só até a página dois", ao contrário do que costumam fazer outros ministros militares, como Heleno e Ramos.

Azevedo e Silva, ex-assessor do atual presidente do STF, Dias Toffoli, foi indicado para titular da Defesa pelo general Villas Bôas, ex-comandante do Exército. A primeira opção de Bolsonaro para a pasta era o general Heleno, que preferiu o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A segunda era o ex-comandante da Marinha, almirante Eduardo Leal Ferreira, que recusou o convite alegando "razões familiares". Azevedo e Silva assumiu o posto como terceira opção.

Em discurso feito ontem, durante manifestação na frente do Palácio do Planalto, o presidente Bolsonaro disse que, assim como o povo, também as Forças Armadas estavam com ele.

A nota divulgada hoje pelo ministro Azevedo e Silva, em que afirma serem as Forças "uma instituição de Estado" —e, portanto, não de governo; e, portanto, não do governo Bolsonaro— não contribuiu para melhorar a opinião do presidente em relação ao seu auxiliar.

A batata do ministro da Defesa continua assando.

Thaís Oyama