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Thaís Oyama


Não, o caso do teste de coronavírus de Bolsonaro não está encerrado

O presidente Jair Bolsonaro, de máscara: testes entregues  ao STF deram negativo, mas ele não cantou vitória - Reprodução/CNN Brasil
O presidente Jair Bolsonaro, de máscara: testes entregues ao STF deram negativo, mas ele não cantou vitória Imagem: Reprodução/CNN Brasil
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

15/05/2020 11h02

Depois que o Palácio do Planalto entregou ao STF (Supremo Tribunal Federal) três laudos médicos com resultados negativos para o teste de coronavírus realizados por Jair Bolsonaro e por um ainda misterioso "paciente 05", era de se esperar que o presidente batesse o bumbo e demarcasse a sua vitória nem que fosse com um "eu não disse?".

A batalha foi longa, afinal. Desde março, o jornal O Estado de S.Paulo solicitava a divulgação do resultado dos exames presidenciais.

O pedido via Lei de Acesso à Informação foi negado pela Presidência, o jornal entrou com ação na Justiça e teve de escalar duas instâncias até chegar ao STF.

Diante da iminência de ter de entregar os exames por ordem da Corte, o Planalto fez chegar a ela os três laudos com resultado negativo. Os exames tiveram divulgação imediata e uma "comemoração" bastante comedida por parte do presidente. Bolsonaro limitou-se a postar no Twitter uma bandeirinha do Brasil acompanhada de um sinal de positivo, como quem coloca uma pedra sobre um assunto encerrado.

Só que o assunto não está encerrado. O laudo do terceiro exame entregue pela Presidência ao STF, cuja existência foi revelada em março por esta coluna, não possui CPF, RG, data de nascimento nem qualquer outra informação que o vincule ao presidente da República.

No documento, assinado por uma médica do laboratório Fiocruz, e atribuído pela Advocacia-Geral da União a Bolsonaro, consta apenas a informação de que ele se refere ao "paciente 05". Isso não ocorre nos outros dois laudos, assinados pelo laboratório Sabin.

Embora neles o presidente esteja identificado por codinomes (Airton Guedes e Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz), seus dados pessoais estão lá. A data de nascimento e os números do RG e CPF constantes do documento atestam que eles se referem ao presidente da República. O mesmo não se pode dizer do laudo da Fiocruz.

Por causa disso, advogados do Estado de S.Paulo decidiram requerer, junto à 14ª Vara Cível Federal de São Paulo, que a Fiocruz informe como é possível garantir que a amostra do "paciente 05" seja a do presidente Bolsonaro. O tribunal é o mesmo que determinou em abril que a União desse ao jornal acesso em 48 horas aos testes de Covid-19 do presidente.

Bolsonaro nunca bateu o bumbo nem cantou vitória no caso.

Talvez tenha suas razões.

Thaís Oyama