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Thaís Oyama


Thaís Oyama

O tédio de Bolsonaro e a live que destroi

O presidente Bolsonaro na live de quinta-feira: desfile de ideias fixas - REPRODUÇÃO DE VÍDEO
O presidente Bolsonaro na live de quinta-feira: desfile de ideias fixas Imagem: REPRODUÇÃO DE VÍDEO
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

17/07/2020 19h42

O presidente Jair Bolsonaro fez ontem sua tradicional live das quintas-feiras. A fala teve 30 minutos de duração (em seguida, ele passou a responder a perguntas de uma emissora de rádio).

Durante o tempo em que se dirigiu à sua audiência, o presidente se dedicou a:

-criticar a Europa (uma "seita ambiental" que "não preservou nada e o tempo todo atira em cima de nós")

- minimizar o problema das queimadas na Amazônia ("não é esse trauma todo, essa celeuma toda")

- colocar a culpa na esquerda pela não votação da MP da regularização fundiária ("esse pessoal não colabora, nós tínhamos como praticamente resolver em grande parte isso, se tivesse sido votado")

- espinafrar a imprensa (que só faz "publicar mentiras" e "fraudar números")

- criticar o próprio decreto que proíbe queimadas na Amazônia por quatro meses ("o pequeno homem que está no interior do Brasil, e vai ter acesso ao decreto, como é que ele vai cultivar alguma coisa esse ano?")

- mostrar fotos de outdoors cumprimentando o seu governo ("manifestações voluntárias, que vêm do coração do povo brasileiro")

- atacar governadores e prefeitos "que resolveram partir para o lockdown" ("tem aumentado o número de suicídios, depressão e outras doenças. Esses números começam a aparecer")

- elogiar a hidroxicloroquina e criticar quem é contra o uso do medicamento na Covid-19 (incluindo o "seu" Mandetta)

- falar mal dos ministros dos outros e bem dos seus

No último minuto da live, Bolsonaro, lembrado por um ajudante de ordens, mencionou a sanção à lei do novo marco de saneamento básico, que visa a ampliar a ação do setor privado na área e tirar da idade média mais de 100 milhões de brasileiros que não têm acesso à coleta de esgoto e 35 milhões que vivem sem água tratada.

Antes de encerrar, o presidente congratulou-se com os números da audiência que sua live tinha rendido nas redes sociais.

Para Bolsonaro, o Brasil e o mundo giram em torno de seus desejos, suas convicções e suas ideias fixas.

O resto o enche de tédio.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Thaís Oyama