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Thaís Oyama

O que une Rodrigo Maia e Jair Bolsonaro

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, entrevistado do Roda Viva: Bolsonaro não cometeu crime algum - ADRIANO MACHADO
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, entrevistado do Roda Viva: Bolsonaro não cometeu crime algum Imagem: ADRIANO MACHADO
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

04/08/2020 12h37

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, vive às turras com o presidente da República, Jair Bolsonaro. Já disse que o ex-capitão "brinca de ser presidente" e vê seu dedo tanto nas agressões de caráter pessoal que recebe nas redes sociais quanto nos ataques ao Congresso registrados nas manifestações pró-governo.

Ontem, porém, em entrevista ao programa Roda Viva, Maia foi uma seda com o presidente.

Disse não ver até agora motivo algum para aceitar um dos mais de cinquenta pedidos de impeachment contra Bolsonaro que repousam em sua mesa. "Por parte do presidente, não vejo crime de responsabilidade", anunciou.

Maia e Bolsonaro têm muitas diferenças, mas possuem ao menos uma coisa em comum: o interesse em esvaziar a Lava Jato e seu símbolo principal.

Maia é investigado no âmbito da operação, que ele criticou na entrevista, acusado de receber dinheiro ilegal de duas empreiteiras — nas notórias planilhas do departamento de propinas da Odebrecht seria dele o codinome "Botafogo".

Como muitos políticos na sua situação, o presidente da Câmara tem a esperança de que o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, a quem ele elogiou no programa, encontre ilegalidades que anulem os inquéritos.

Dono do destino de muitos parlamentares neste momento, Aras tem como principal adversário na sua batalha interna com os procuradores o ex-ministro Sergio Moro. O ex-ministro é hoje o nome que, nas eleições presidenciais de 2022, mais inviabilizaria um candidato de centro — e Maia sonha em ser um deles.

"O inimigo do meu inimigo é meu amigo", diz o ditado.

Nesse caso, Maia e Bolsonaro poderiam recitar uma versão diferente.

"Sendo o meu inimigo também o seu, viremos amigos". Ao menos até que novos interesses nos separem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.