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Thaís Oyama


Thaís Oyama

Na conquista do Nordeste, Bolsonaro segue os passos do PT

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

03/08/2020 13h05Atualizada em 04/08/2020 08h48

Se Jair Bolsonaro conseguir aprovar o seu Renda Brasil, ninguém tira o Nordeste dele, aposta o Planalto.

"É prego batido e com ponta virada", diz um assessor palaciano.

O Nordeste ainda é um reduto petista, mas não foi sempre assim.

Até 2002, a maior parte do eleitorado da região tendia a votar em candidatos tucanos, enquanto o Sudeste era Lula.

Naquele ano, o da primeira vitória do petista em sua quarta tentativa de chegar à Presidência, os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo deram a Lula 47% dos votos no segundo turno.

Apenas 25% dos votos vieram da região Nordeste.

Em 2014, o percentual de votos nordestinos para o PT havia subido para 37%. Na ocasião, o governo estava sob comando de Dilma Rousseff, que herdou a presidência do padrinho.

O ponto de inflexão nessa trajetória se deu em 2005, com a eclosão do escândalo do mensalão. Com a escalada das notícias sobre a corrupção no partido, o PT passou a perder eleitores nas regiões Sul e Sudeste - mas compensou a queda com o aumento de eleitores no Nordeste, graças a um conjunto de políticas sociais para a região.

Qualquer semelhança com a trajetória de Jair Bolsonaro não é mera coincidência.

Metade dos votos que elegeu o ex-capitão em 2018 veio do Sudeste; e, proporcionalmente, a maior parte dos seu eleitores veio do Sul. Mas o escândalo Queiroz e o abandono da bandeira da Lava Jato fizeram o presidente perder pontos com a classe média dessas regiões.

Os índices de popularidade de Bolsonaro, porém, pouco se mexeram, graças à distribuição do auxílio emergencial e o aumento de apoiadores no Nordeste.

A continuidade do auxílio emergencial, na forma do programa Renda Brasil, é o que faltava para Bolsonaro repetir a mágica do PT.

Paulo Guedes já topou o escambo: "Dê-me a nova CPMF e eu te darei o Renda Brasil (e a reeleição").

Quem há de ser contra um programa de complemento de renda para os necessitados neste momento? Não o Congresso, não a oposição.

O PT conquistou o Nordeste e ficou por cerca de 13 anos no poder.

Bolsonaro sabe disso. E está fazendo direitinho a lição de casa.

Errata: o texto foi atualizado
O PT governou o Brasil por cerca de 13 anos, não 16, como constava na versão original. A informação foi corrigida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Thaís Oyama