PUBLICIDADE
Topo

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, envergonha até bolsonaristas

Milton Ribeiro: para quem achava que ninguém seria capaz de superar o seu antecessor  - Cláudio Reis/Framephoto/Estadão Conteúdo
Milton Ribeiro: para quem achava que ninguém seria capaz de superar o seu antecessor Imagem: Cláudio Reis/Framephoto/Estadão Conteúdo
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

24/09/2020 10h53

"O bolsonarismo é o refúgio dos fascistas".

Em algum momento, algum luminar da esquerda achou que seria uma genial espalhar essa ideia por aí.

A palavra fascismo virou para certos militantes de esquerda o que a salsinha é para um prato sem cor. Sempre que alguém não tem mais o que dizer num debate, sapeca nele o xingamento. Vulgarizaram o fascismo como vulgarizaram o mais injustiçado dos temperos.

Há de haver, entre os apoiadores de Jair Bolsonaro, fascistas de verdade — e coisa pior também. É só prender a respiração e gastar uns minutos lendo o que postam nas redes sociais certos expoentes da turma.

O problema é que, ao estigmatizar e ridicularizar o eleitor de Bolsonaro, a esquerda coloca no mesmo saco tipos bem diferentes de farinha.

Como, por exemplo, brasileiros que perderam o emprego ou viram seus pequenos negócios ruírem com o desastre do governo Dilma. Brasileiros esperançosos de ver um governo onde a corrupção finalmente deixaria de grassar. Brasileiros assustados com as rápidas mudanças no campo dos costumes ou, como descreve em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo Fernando Schuller, citando a socióloga americana Arlie Hochschild: gente que se sente passada para trás ao ver minorias contempladas pelas ações afirmativas "furarem a fila" na qual ela pacientemente esperou pela sua vez.

Esses são também os eleitores de Bolsonaro e é desonesto negar que suas aspirações ou frustrações não sejam justas ou compreensíveis.

Mas aí vem o ministro da Educação e concede uma entrevista.

Falando ao Estadão, Milton Ribeiro disse que a homossexualidade é fruto de "famílias desajustadas". Segundo o ministro, "o adolescente que muitas vezes opta por andar no caminho do homossexualismo (sic)" faz isso porque "não tem a atenção do pai, não tem a atenção da mãe". Completou o ministro: "São questões de valores e princípios".

O bolsonarismo não é feito de fascistas, mas, para constrangimento inclusive de bolsonaristas, contém ignorância além da conta.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.