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Thaís Oyama

Para Bolsonaro, questão ambiental virou guerra, e o governo "vai para cima"

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

19/09/2020 05h00

O presidente Jair Bolsonaro está convencido de que há uma guerra aberta contra ele.

Para o ex-capitão, a esquerda decidiu usar a questão ambiental para desgastar o seu governo. Para isso, se vale da "mídia" e de ONGs que, acredita, não estão interessadas em contribuir, mas apenas apontar-lhe o dedo.

Sendo assim, o governo seguirá falando cada vez mais grosso.

Na avaliação do Palácio, a tentativa de adotar um discurso "diplomático" fracassou.

O Conselho da Amazônia, presidido pelo vice-presidente Hamilton Mourão, foi criado para ser a face engajada do governo e mostrar que o Brasil estava disposto ao diálogo, diz um assessor presidencial.

"Mas é como israelenses e palestinos: inútil dialogar se o outro lado só quer confronto", afirma o assessor. "Se é assim, vamos para cima. Não é a Greta que vai definir a política ambiental brasileira", afirmou, em referência à adolescente sueca que virou símbolo da causa da preservação ambiental.

Ontem, o general Augusto Heleno, chefe do GSI, tuitou que a campanha "Defund Bolsonaro" (Desfinancie Bolsonaro) seria obra da Articulação dos Povos Indígenas. A ONG, presidida por uma "militante do PSOL e ligada ao ator Leonardo Di Caprio", atuaria "24 horas por dia para manchar a imagem" do Brasil no exterior".

Os tuítes do general dão o tom reinante no Palácio.

Para os próximos dias, a estratégia será a de manter o discurso de acirramento. Ao mesmo tempo, o governo irá deslocar ministros menos associados ao ideário bolsonarista — como Teresa Cristina, da Agricultura— para reforçar a narrativa de que não está agindo contra o meio ambiente, mas a favor do agronegócio.

Se a tentativa não trouxer os resultados que o Palácio espera, o próximo passo será "falar diretamente para a população", por meio de lives, redes sociais e campanhas publicitárias.

Enganou-se quem pensou que Bolsonaro sucumbiria à razão.

Confrontado, o presidente não baixa o tom — grita sempre mais alto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.