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Advogado de Michelle defendeu traficante do PCC e policial chantageador

Michelle Bolsonaro: vítima de ataque e também da defesa - Reprodução / Internet
Michelle Bolsonaro: vítima de ataque e também da defesa Imagem: Reprodução / Internet
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

01/10/2020 11h42Atualizada em 01/10/2020 15h48

Desde o mês passado, a Polícia Civil de São Paulo investiga ataques feitos na internet à primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A solicitação da investigação partiu da mulher do presidente, que se sentiu ofendida por mensagens de caráter pessoal postadas contra ela nas redes sociais.

Seu advogado, Daniel Bialski, é conhecido por defender traficantes e policiais condenados por corrupção.

Entre seus clientes, já estiveram, por exemplo, o ex-delegado do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico) Pedro Pórrio, destituído do cargo e condenado a oito anos de prisão em 2016 pela 11ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo por extorquir membros da quadrilha do traficante colombiano Juan Carlos Ramires Abadia.

Bialski também defendeu o traficante do PCC Valter Lima Nascimento, o "Guinho". Tido como braço-direito de Welinton Xavier — que o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, já classificou como "o maior traficante do estado"—, Guinho foi preso em 2014 com 400 quilos de cocaína. Logo depois do flagrante, o bandido e seus comparsas foram libertados por meio de habeas corpus. A soltura do bando fez com que o Ministério Público abrisse inquérito para a apurar a existência de um esquema montado dentro do Judiciário para facilitar a libertação de chefes do tráfico do crime organizado.

O advogado Bialski, responsável pelo pedido de habeas corpus, foi apontado como um dos supostos envolvidos no esquema. À Rede Bandeirantes, ele declarou à época: "Consegui a soltura reconhecendo que os indícios eram frágeis em relação à participação do meu cliente no evento em que ele estava sendo denunciado."

Alô, Abin, tem alguém aí?

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Por meio de sua assessoria, Bialski nega que o traficante mencionado tenha ligações com o PCC. Afirma ainda que "nenhum advogado pode ser associado a eventuais crimes de que seus clientes são acusados, sejam quais forem".

A coluna mantém as informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.