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O PT segue firme rumo ao fim

O ex-presidente Lula: depois de mim, mais nada  - Reprodução
O ex-presidente Lula: depois de mim, mais nada Imagem: Reprodução
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

18/10/2020 10h22

O PT saiu das eleições municipais de 2004 com nove capitais.

Foi perdendo uma a uma nos pleitos seguintes e chegou a 2016 cravando um único ponto vermelho no mapa: Rio Branco, no Acre.

Agora, em 2020, lidera a campanha em apenas uma capital, Vitória, sem garantia de levar nem essa.

Não é exatamente uma surpresa.

O partido de Lula optou por ir para a corrida eleitoral sozinho, fora de forma e calçando botas velhas.

Comparece diante do distinto público com os mesmos rotos e rasgados nomes dos velhos tempos. Em São Paulo, não conseguiu tirar da cartola nada melhor que Jilmar Tatto, representante do coronelismo urbano encastelado há três décadas na Tattolândia, como é conhecida a região na zona sul da capital que sua família usa como varanda para o beija-mão clientelista.

Mesmo com a estrela desbotada e nenhum nome arrebatador, o PT achou por bem dispensar alianças.

Pesquisa do Infomoney mostrou que ele é o partido mais isolado nestas eleições - quase metade dos nomes que lançou não está coligado com nenhuma outra sigla.

A humilhação de ver seus principais quadros atrás das grades, condenados nos piores escândalos de corrupção que o Brasil já viu, não baixou o queixo do PT. O massacre de 2016 nas urnas tampouco fez o partido cogitar uma temporada no cantinho do pensamento. A soberba do partido é maior que os vexames pelos quais ele passou.

E nisso o PT apenas emula o comportamento do seu líder maior.

Lula, ao sair da prisão, perdeu a chance de recolher os cacos da sua biografia tentando costurar uma frente de oposição capaz de se apresentar como uma alternativa para o país.

Em vez disso, preferiu o discurso belicoso e ressentido de um comandante de facção que parece falar para os mortos ao cobrar "respeito ao maior partido de esquerda da América Latina". "Frente ampla" só sai se for a frente dele.

Assim, o PT segue firme em direção à irrelevância. E quem acha que o resultado das eleições municipais será o maior desastre da história do partido é porque ainda não se deu ao trabalho de olhar o que o espera em 2022.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado na primeira versão, o PT não lidera as pesquisas em Fortaleza. Capitão Wagner (PROS) está na frente no Datafolha e está em empate técnico com Luizianne Lins (PT) no Ibope. A informação foi corrigida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.