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Thaís Oyama

Bolsonaristas querem a volta do voto impresso e é melhor atendê-los

Bolsonaro duvida da urna eletrônica: se é possível caminhar para trás, por que não fazê-lo? - TRE-RJ
Bolsonaro duvida da urna eletrônica: se é possível caminhar para trás, por que não fazê-lo? Imagem: TRE-RJ
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

17/11/2020 10h51

"Fraude nas eleições!"

Desde domingo, apoiadores do governo espalham a tese da ocorrência de manipulação criminosa das urnas com variações apenas na escala de decibéis: uns a sussurram, insinuantes e enigmáticos, outros a vociferam como certeza absoluta. No meio, estão os bem intencionados que resolvem repassar as mensagens para frente só por via das dúvidas.

Para os títeres da propagação da versão de fraude nas urnas, a última teoria conspiratória bolsonarista serve para disfarçar o estrago que os resultados das eleições municipais causaram à reputação do ex-capitão (na mais benigna das análises, o presidente passou a ser chamado de Mick Jagger das urnas, ou O Grande Pé Frio; e na mais amarga das avaliações, aparece como uma biribinha de São João - o fracasso como cabo eleitoral seria a prova de que sua ascensão política não teria passado de um estalo).

No último domingo, quase 500 grupos, perfis e páginas bolsonaristas postaram no Facebook questionamentos sobre a integridade das urnas e mensagens em defesa do voto impresso.

De nada adiantaram as explicações do TSE de que as falhas que atrasaram a divulgação dos números das eleições em nada comprometeram seu resultado.

"Verdades", entre aspas

As deputadas Carla Zambelli e Bia Kicis, do PSL, foram algumas que trataram de fazer ouvidos moucos para as explicações e espalhar a dúvida no ar. Blogueiros bolsonaristas, incluindo nomes que já respondem na Justiça por disseminação de fake news, deram a fraude como fato consumado. Isso tudo diante da inexistência de um único indício do crime.

Mas quem precisa de indícios?

O coronavírus foi criado pela China para destruir as economias do Ocidente.

A vacina chinesa instala um chip em quem a tomar e é um meio de a potência comunista instaurar o controle biológico dos indivíduos.

Trump venceu as eleições.

As eleições no Brasil foram fraudadas.

Relembrando 2018, pensando em 2022

O grande problema das teorias conspiratórias é que elas são irrefutáveis, já que se baseiam em crenças e não em fatos.

Entre as muitas ideias fixas de Jair Bolsonaro está a de que as urnas eletrônicas são vulneráveis. O ex-capitão já apresentou projeto pedindo a volta do voto impresso e afirmou ter provas, nunca reveladas, de que a eleição de 2018 foi fraudada por culpa da inexistência do comprovante.

Jair Bolsonaro é capaz de questionar a lisura de uma eleição que ele mesmo ganhou.

Jair Bolsonaro será candidato à reeleição em 2022.

Antes que as versões ameacem outra vez os fatos, é melhor dar a Bolsonaro e aos bolsonaristas a sua cédula de papel.

Não será a primeira vez nos últimos tempos que o Brasil caminhará para trás.