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Thaís Oyama

Boulos mostra que Bolsonaro deve temer o ódio como cabo eleitoral

Boulos e Covas: se a polarização em São Paulo se repetir em 2022, para onde irá o eleitorado de centro? - 16.11.2020 - Kelly Queiroz/CNN Brasil
Boulos e Covas: se a polarização em São Paulo se repetir em 2022, para onde irá o eleitorado de centro? Imagem: 16.11.2020 - Kelly Queiroz/CNN Brasil
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

19/11/2020 11h59

Quem diria.

Gente que nunca votou na esquerda diz agora apoiar Guilherme Boulos.

O candidato a prefeito de São Paulo pelo PSOL, ativista do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, aparece com 35% das intenções de voto na pesquisa Ibope divulgada ontem (o tucano Bruno Covas lidera com 47%).

Considerando que, historicamente, os votos da esquerda na capital não passam de 20%, é certo que o líder dos sem-teto vem abocanhando eleitores para além de seu campo político.

É fácil entender por quê.

O eleitorado de centro é pendular. Quando não tem um candidato com quem se identifica, ora corre para a direita, ora opta pela esquerda —em regra, motivado pela rejeição ao candidato postado em uma das extremidades.

"Ódio a João Doria"

Na opinião de um dos mais argutos políticos brasileiros, íntimo participante da cena política paulista, no caso da capital, o eleitor de centro está indo para Boulos "por ódio ao Doria" — lembrando que, para parte do eleitorado, o governador de São Paulo, João Doria, é um representante da direita, além de padrinho político de Covas.

O mesmo fenômeno ocorreu no plano federal em 2018, só que com sinal trocado.

O "ódio ao PT", somado à desastrosa campanha do candidato centrista, o tucano Geraldo Alckmin, fez com que o eleitorado situado entre as extremidades políticas corresse para a direita e elegesse Jair Bolsonaro.

Por enquanto, 2022 não tem um candidato de centro. Sergio Moro, Luciano Huck, Luiz Henrique Mandetta não passam de possibilidades, e em alguns casos, remotas.

A polarização de olho em 2022

Se nenhum dos nomes desse campo se consolidar e nada mais promissor surgir no horizonte, a polarização de 2018 tende a se repetir em 2022.

Jair Bolsonaro, o candidato da direita, duelará com um nome da esquerda.

E a depender do índice de rejeição do presidente, desta vez poderá sobrar para ele o "ódio" que o pendular eleitorado de centro dedicou ao PT em 2018.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.