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Thaís Oyama

Iniciativa de Moro tira seu nome do tabuleiro das eleições de 2022

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

01/12/2020 09h18

A ida do ex-ministro Sergio Moro para uma consultoria internacional que administra a recuperação judicial da Odebrecht indica que o tabuleiro de 2022 tem agora uma peça a menos.

Fonte próxima do ex-juiz confirma que a iniciativa significa exatamente o que parece: Moro não deseja ser candidato à presidência da República e escolheu seguir na iniciativa privada. Nessa nova etapa, continuará se manifestando "como cidadão", o que inclui apoiar um candidato de centro nas próximas eleições. Por fim, o ex-ministro deve se mudar para São Paulo, onde fica a sede da empresa americana no Brasil.

A Alvarez & Marsal tem como clientes outras empresas investigadas na Lava Jato além da Odebrecht: as construtoras OAS, Queiroz Galvão e a Sete Brasil, do setor de petróleo.

Moro anunciou que junta-se aos quadros da "renomada empresa de consultoria internacional" com o intuito de "ajudar as empresas a fazer a coisa certa, com políticas de integridade e anticorrupção". O ex-juiz diz afirma que não atuará em casos em que houver conflito de interesse.

Poderá até não atuar, mas na qualidade de sócio-diretor da Alvarez & Marsal, e não de simples contratado, seu comprometimento com qualquer caso assumido pela consultoria será inevitável.

Moro jamais conseguirá provar que não usou da experiência, das informações e dos contatos que amealhou como juiz da Lava Jato para atuar em favor de empresas que, de investigadas por ele, passam agora à categoria de clientes da consultoria da qual é sócio.

Moro sempre se esquivou do assunto candidatura

A atuação na Lava Jato sempre foi a principal credencial do ex-magistrado. Ao fazer uso dessa credencial como meio de subsistência, ele abre mão do que era até agora o seu maior ativo político.

Moro está caindo fora da disputa presidencial ou nunca esteve nela?

Desde que ganhou notoriedade, o ex-juiz não deu uma única entrevista em que não tenha sido questionado sobre suas eventuais pretensões ao cargo. Jamais confirmou tê-las.

Depois que saiu do governo, foi sondado por vários partidos, incluindo o PSL e o Podemos, sobre a possibilidade de se filiar para concorrer em 2022. Em todos os casos, não deixou a conversa nem começar.

Moro, portanto, nunca prometeu nada a ninguém.

Agora, define a trajetória que irá seguir nos próximos anos, e nela não cabe a política.

O erro de quem hoje se decepciona com o ex-juiz pode ter sido esperar demais dele. O Brasil continua sem heróis.