PUBLICIDADE
Topo

Thaís Oyama

De volta das suas férias, Bolsonaro tem más notícias a dar aos brasileiros

Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

05/01/2021 13h10

Jair Bolsonaro voltou das férias no Guarujá e trouxe notícias:

"O Brasil está quebrado. Eu não consigo fazer nada".

Bolsonaro se dirigia a apoiadores que o aguardavam em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília.

Não é exatamente a mensagem que se espera ouvir um presidente da República no seu primeiro dia de trabalho de um ano que começa.

Mas Bolsonaro não trouxe das férias apenas uma declaração derrotista e uma confissão de inaptidão para o cargo. Trouxe também culpados.

O Brasil está quebrado e ele não pode fazer nada porque a imprensa ("essa mídia sem caráter que nós temos aí") "potencializa" os efeitos do coronavírus e faz um "trabalho incessante" para desgastá-lo. O objetivo é retirá-lo do cargo "para voltar alguém para atender os interesses escusos da mídia".

Governo vai deixando a marca do improviso como método

Trata-se de um diagnóstico bastante conveniente para o presidente. Mas há outros.

O Brasil "está quebrado" e Bolsonaro não consegue fazer nada quanto a isso porque sua maior deficiência é a incapacidade de planejamento — a grande marca do seu governo é o improviso.

"Tô ferrado, não sei nada disso aí", dizia o então candidato, largando o corpo na poltrona, quando, às vésperas de um debate importante na TV, assessores tentavam em vão treiná-lo numa sabatina.

Ao sabor da biruta

Bolsonaro não gosta de estudar e não tem capacidade para planejar. Seus movimentos são guiados pela biruta que habita sua cabeça e que gira conforme seus humores.

Assim foi na escolha do partido pelo qual concorreu à Presidência, assim foi na escolha do vice que comporia a sua chapa, assim foi na montagem do ministério, assim vem sendo a condução do governo.

O vaivém do "novo Bolsa Família", o programa que se foi sem nunca ter sido, e as compras e descompras de vacinas na pandemia são apenas os exemplos mais recentes da forma como se comporta o presidente eleito por 57 milhões de brasileiros, e que junto com as más notícias trazidas das férias, apresentou também uma ameaça:

"Vão ter de me aguentar até 2022".

Feliz ano novo, Brasil, e salve-se quem puder.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.