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Thaís Oyama

Pazuello fracassa também na tentativa de "sequestrar" seringas de São Paulo

Pazuello e Bolsonaro: senhoras e senhores, não há falta de seringas porque nós vamos tomá-las do governo de São Paulo -                                 Reprodução/Facebook
Pazuello e Bolsonaro: senhoras e senhores, não há falta de seringas porque nós vamos tomá-las do governo de São Paulo Imagem: Reprodução/Facebook
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política da rádio Jovem Pan. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

08/01/2021 11h39

"Senhoras e senhores, não existe falta de seringa", disse ontem a uma plateia de jornalistas um ofendido general Eduardo Pazuello.

O militar reclamou que o seu ministério passou os últimos dias sendo chamado de "fracassado" por culpa da "desinformação horrível" promovida pela imprensa sobre o atraso do governo na compra do equipamento básico de vacinação.

A licitação aberta de última hora pelo Ministério da Saúde para a aquisição de 330 milhões de agulhas e seringas obteve a oferta de apenas 7 milhões de unidades no pregão feito no dia 29 de dezembro — o que significa que quase nenhum fabricante topou os preços propostos pelo cliente que chegou atrasado.

Irritado, o presidente Jair Bolsonaro avisou pelo Facebook que havia ordenado a suspensão da compra do equipamento até que os preços "voltassem à normalidade".

Ocorre que ontem, em meio ao longo monólogo protagonizado por Pazuello (o general falou por quase uma hora, sem direito a perguntas), soube-se que uma intrigante "requisição administrativa" possibilitaria ao governo federal obter "30 milhões de seringas da iniciativa privada".

A mágica agora está explicada.

Bronca do STF

O governo federal intencionava simplesmente "sequestrar" para si as seringas já compradas pelos estados, notadamente o de São Paulo, governado pelo arquirrival de Bolsonaro, João Doria.

Informado por uma das empresas fornecedoras da tentativa de confisco, o governo de São Paulo acionou a Procuradoria-Geral do Estado para entrar com uma ação junto ao Supremo Tribunal Federal visando a garantir o recebimento das agulhas e seringas já compradas.

Hoje de manhã, o ministro do STF Ricardo Lewandowski frustrou o plano de surrupio de Pazuello e Bolsonaro e ainda passou uma carraspana nos dois.

Ao deferir a liminar pedida pelo governo de São Paulo, escreveu no despacho que "a incúria do Governo Federal não pode penalizar a diligência da Administração do Estado de São Paulo, a qual vem se preparando, de longa data, com o devido zelo para enfrentar a atual crise sanitária".

O general Pazuello e o presidente Bolsonaro não têm por que ficar ofendidos com o que a imprensa diz sobre o seu desempenho na (não) campanha de vacinação. Juntos, o ministro e o presidente produziram cada um dos últimos fracassos; juntos, merecem cada vaia que ouvirem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.