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Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Com Lula em cena, Huck vê Ciro como seu novo concorrente na terceira via

O ex-governador Ciro Gomes: para Huck, a nova pedra no caminho - Kleyton Amorim/UOL
O ex-governador Ciro Gomes: para Huck, a nova pedra no caminho Imagem: Kleyton Amorim/UOL
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

12/03/2021 10h41

"A necessidade faz o sapo pular". A frase foi lembrada por um integrante do grupo que articula o lançamento do apresentador Luciano Huck como candidato à Presidência da República.

Com o ditado, o aliado de Huck quis dizer que a polarização bolso-petista criada pela entrada do ex-presidente Lula no cenário de 2022 abriu uma larga avenida para a evolução de um candidato do "centro expandido" —e que é chegada a hora, portanto, de "começar a conversar".

Para conselheiros de Huck, o apresentador é quem hoje reúne as melhores condições para liderar esse "centro expandido", composto por um arco de nomes que incluiria de liberais reformistas a representantes da centro-esquerda.

Ocorre que, se antes esses aliados enxergavam no ex-juiz Sergio Moro o principal concorrente de Huck para ocupar o vértice desse arco, hoje as preocupações têm outro nome: o do ex-governador Ciro Gomes, do PDT.

"Se o Ciro fizer movimentos em direção à centro-esquerda, poderá se viabilizar como terceira via", afirma um dos principais conselheiros de Huck.

Pesquisa Exame/Ideia divulgada hoje mostra que 38% dos brasileiros não votariam nem em Lula e nem em Bolsonaro. Feita pelo grupo Exame em parceria com o instituto Ideia, ela ouviu 1 000 pessoas entre ontem e anteontem (10 e 11 de março).

Para o CEO do Ideia, Maurício Moura, a sondagem confirma a existência de "uma alta demanda na opinião pública por um nome que rompa o ciclo petismo-bolsonarismo".

A pesquisa mostra ainda que, se a eleição fosse hoje, Lula ficaria em segundo lugar, com 18% dos votos, seguido por Moro, com 11%. Ciro Gomes aparece na quarta posição (9%), à frente do governador de São Paulo, João Doria (7%), e de Luciano Huck (6%).

O presidente Jair Bolsonaro, porém, segue como favorito, e no segundo turno derrotaria todos os candidatos.

É hora de os sapos começarem a pular.