PUBLICIDADE
Topo

Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Irritada com Doria, frente em prol do 'sr. Terceira Via' pode sair sem PSDB

O governador de São Paulo, João Doria: não, ele não desistiu - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
O governador de São Paulo, João Doria: não, ele não desistiu Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

30/04/2021 11h56

A tal "aliança de centro" empacou.

A frente que pretende reunir nomes capazes de quebrar a polarização entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) até agora não conseguiu juntar mais de três pessoas na mesma mesa.

No mês passado, ela parecia estar caminhando bem. O manifesto "em defesa da democracia", assinado por seis potenciais candidatos à Presidência em 2022, foi o primeiro sinal concreto de que a aliança poderia sair - e, com ela, também o nome capaz de ocupar o até agora desolado campo da chamada terceira via.

O texto — divulgado em meio à crise militar provocada pela saída do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, demitido de pé e na porta do gabinete do presidente Jair Bolsonaro— foi assinado por Ciro Gomes (PDT), Eduardo Leite (PSDB), João Amoêdo (Novo), João Doria (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Luciano Huck (sem partido).

Desde então, nada aconteceu, e lideranças responsabilizam o PSDB pelo atual estado de pasmaceira do grupo -por culpa dos tucanos, impedido de saber "com quem se sentará à mesa".

A avaliação é de que o PSDB, embora não esteja disposto a fazer do governador João Doria o candidato do partido à Presidência, tampouco consegue descartá-lo.

Doria, que chegou considerar candidatar-se à reeleição para o governo de São Paulo, surpreendeu seus pares no início do mês ao patrocinar a filiação de seu vice, Rodrigo Garcia (ex-DEM), ao PSDB, com a intenção de fazê-lo seu sucessor. Com isso, deixou claro que mantém inabalável sua pretensão de concorrer à Presidência.

O fato de o movimento de Doria ter também implodido a sua relação com ACM Neto — presidente do partido ao qual pertencia Rodrigo Garcia antes de rumar para o PSDB— foi visto como mais uma prova de que o governador de São Paulo seria, nas palavras de uma das lideranças da protoaliança, "um macaco numa loja de louças".

O PSDB marcou para outubro as prévias que definirão o nome favorito do partido para disputar as eleições de 2022. A data é considerada tardia demais por lideranças interessadas em oficializar rapidamente a aliança de centro.

Uma das ideias iniciais do grupo previa a união de um candidato do DEM, como o ex-ministro Mandetta, e um tucano, como o governador Eduardo Leite - ambos jurando que não brigariam pela cabeça de chapa e de bom grado distribuiriam santinhos do outro caso fossem relegados ao posto de vice.

A ideia perdeu força. "O PSDB não decide quem vai colocar para sentar na mesa. Quando resolver, pode já não achar lugar", diz um dos integrantes do grupo.

A terceira via, antes de se consolidar, começa a fazer água — para alegria da primeira e segunda.