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Thaís Oyama

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Indicação faz políticos mudarem olhar sobre escolhido de Bolsonaro ao STF

André Mendonça: má vontade para com ele não mudou, mas agora será menos explícita  - Anderson Ridel/PR
André Mendonça: má vontade para com ele não mudou, mas agora será menos explícita Imagem: Anderson Ridel/PR
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

13/07/2021 10h58

Ao formalizar a indicação do advogado-geral da União, André Mendonça, ao Supremo Tribunal Federal, o presidente Jair Bolsonaro cria um fato político capaz de alterar os ânimos dos parlamentares em favor do seu escolhido para a Corte.

Isso porque uma coisa é um parlamentar espernear em público contra a "possível" indicação de um nome ao STF que lhe desagrada.

Outra coisa é — consolidada essa indicação— o parlamentar continuar protestando publicamente contra o indicado; e assim, correr o risco de carimbar na própria testa o título de "inimigo" daquele que pode um dia vir a ser seu julgador.

Só no Senado, 25 excelências (praticamente um em cada três) têm pendências na Justiça, segundo levantamento do Congresso em Foco feito em janeiro de 2019.

Aos olhos de congressistas, portanto, André Mendonça, antes de ser indicado por Bolsonaro, era uma coisa; agora é outra.

Parlamentares receosos de estarem diante de "um novo Fachin" (referência ao juiz visto como o mais "lavajatista" da Corte) continuarão receosos, mas cuidarão de vocalizar menos suas resistências. Em vez disso, tenderão a observar o comportamento de colegas e, uma vez convencidos de que o vento passou a soprar em favor do pastor licenciado, não hesitarão em juntar-se aos seus apoiadores.

"A única chance é o Davi segurar", afirma uma importante liderança partidária com dois inquéritos no STF.

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), na qualidade de presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), é o responsável por marcar a sabatina dos indicados para o STF. Só ao final dessa sabatina, e da aceitação ou rejeição do parecer do relator, é que o nome do indicado pelo presidente da República segue para votação em plenário, onde precisa de um mínimo de 41 votos para ser aprovado.

Alcolumbre, um dos mais resistentes ao nome de Mendonça, chegou a dizer que simplesmente não pautaria a sabatina do pastor caso Bolsonaro insistisse na indicação.

Bolsonaro pagou para ver. Se o ex-presidente do Senado dobrará a aposta ou se irá se render a "esforços" que o governo certamente empenhará para aplacar suas resistências é algo que só se saberá depois do recesso parlamentar, que, na prática, começa nesta sexta-feira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL