PUBLICIDADE
Topo

Thaís Oyama

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Queda em pesquisas e alta da gasolina irritavam Bolsonaro na pré internação

Jair Bolsonaro: presidente demonstrou abatimento pela primeira vez diante dos números mostrando vantagem de Lula - Isac Nóbrega/PR
Jair Bolsonaro: presidente demonstrou abatimento pela primeira vez diante dos números mostrando vantagem de Lula Imagem: Isac Nóbrega/PR
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

15/07/2021 11h35

Colaboradores que estiveram com Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada, no domingo, dois dias antes da sua internação, encontraram um presidente mais irritado que o normal. Diante de um desses assessores, o ex-capitão vociferou contra a política de preços dos combustíveis e avaliou que o impacto das altas recentes estava na raiz da sua queda de popularidade nas pesquisas.

O presidente recebe mensalmente relatórios de opinião pública do Instituto Paraná Pesquisas. O último levantamento do instituto, divulgado em 17 de junho, ainda o mostrava numericamente à frente do ex-presidente Lula.

Desde então, porém, pelo menos três outros institutos (Ipec, Datafolha, Ideia) apontaram que o petista havia assumido a dianteira nas intenções de voto para a Presidência em 2022. O levantamento do Datafolha, do dia 9 de julho, mostrou Lula com 21 pontos de vantagem sobre Bolsonaro no primeiro turno.

Embora costume desdenhar em público das pesquisas, Bolsonaro, pela primeira vez, relatam assessores, demonstrou abatimento diante dos números divulgados nas últimas semanas.

No domingo, em conversa com um ministro, o presidente avaliou que os impactos dos recentes aumentos do diesel, da gasolina e do gás de cozinha recaem principalmente sobre o eleitorado que ganha até dois salários-mínimos — justamente o segmento em que a sua reprovação disparou. Em fevereiro, Bolsonaro trocou o comando da Petrobras depois que o seu então presidente, Roberto Castello Branco, anunciou um aumento de 15% do preço do diesel. Bolsonaro considerou o reajuste "excessivo" e substituiu o economista pelo general Joaquim Silva e Luna.

Para especialistas em pesquisa, a doença de Bolsonaro deverá ter reflexos positivos para o presidente nos próximos levantamentos.

Além de gerar comoção, já fartamente explorada nas redes pelos estrategistas do Planalto, ela ajudará a aliviar o peso da exposição negativa que o ex-capitão vinha sofrendo, por exemplo, na CPI da Covid.

Internações são sempre boas para a popularidade de um chefe de estado. Funcionou para Ronald Reagan, Boris Johnson e até Donald Trump.

Deve funcionar também para Bolsonaro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL