PUBLICIDADE
Topo

Thaís Oyama

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Ciro Nogueira é o ministro que pode "demitir" Bolsonaro

Bolsonaro foi pressionado a não dar superpoderes a Ciro, mas centrão venceu - Agência Senado [/fotografo].
Bolsonaro foi pressionado a não dar superpoderes a Ciro, mas centrão venceu Imagem: Agência Senado [/fotografo].
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

04/08/2021 11h03

Com pompa, circunstância e uma cerimônia só sua, toma posse hoje o novo ministro plenipotenciário da Casa Civil, o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira.

Pela contratação do parlamentar, Bolsonaro pagou o preço de um general e de uma bandeira — tanto o amigo Luiz Eduardo Ramos como a promessa de extirpar a velha política arderam no altar do Centrão no momento em que um dos seus mais importantes caciques adentrou o Planalto.

Foi um investimento alto com expectativas de retorno idem.

O novo chefe da Casa Civil domina os meios e métodos do convencimento político junto aos seus pares, tem relações civilizadas com importantes ministros do STF e preside o partido ao qual pertence o presidente da Câmara, Arthur Lira, aquele que está sentado sobre a bomba atômica do impeachment.

Por todas essas qualidades, Ciro Nogueira, dizem aliados, veio para trazer a Bolsonaro e seu governo estabilidade e moderação.

Ocorre que, ao nomear o poderoso líder do Centrão, Bolsonaro desprezou a regra empresarial básica de que nunca se deve contratar quem não pode ser demitido.

E ao contrário dos militares que ainda restam no governo — e com quem o bloco do senador já começou a se estranhar — Ciro Nogueira é indemissível, pelo simples fato de que sua eventual queda não se resumirá a ele.

O Centrão é um bloco de partidos em que, como num acordo societário, o PP, por ter a maior bancada, tem a maior fatia.

Chefe dessa holding, Ciro Nogueira foi nomeado pelo governo como um CEO contratado a peso de ouro para fazer uma empresa escapar da falência.

Se conseguir, ele e seu grupo poderão ter o contrato renovado na próxima temporada. Mas se o dono da empresa continuar atrapalhando muito, o CEO não pensará duas vezes antes de pular para a concorrente — levando com ele toda a sua turma.

Se Bolsonaro não pode demitir Ciro Nogueira, Ciro Nogueira e seu grupo não perderão nada demitindo Bolsonaro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL