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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Apoio de Tasso em prévias eleva vantagem de Leite sobre Doria em diretórios

Os governadores tucanos João Doria e Eduardo Leite: briga acirrada no ninho - Marcello Fim/Ofotográfico/Folhapress
Os governadores tucanos João Doria e Eduardo Leite: briga acirrada no ninho Imagem: Marcello Fim/Ofotográfico/Folhapress
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

30/09/2021 12h14

9 a 5.

Com o apoio dos diretórios de Santa Catarina e da Paraíba à candidatura de Eduardo Leite, ambos anunciados nas últimas horas, o governador do Rio Grande do Sul elevou a sua vantagem sobre o governador de São Paulo, João Doria, no placar dos diretórios que decidirão as prévias do PSDB.

Além dos dois novos estados, estão oficialmente com Leite os diretórios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Ceará, Amapá e Alagoas.

Doria tem — também oficialmente e até o momento — São Paulo, Pará, Distrito Federal, Acre e Tocantins.

O sistema de prévias do PSDB não é simples.

O fato de Leite ter a maioria dos diretórios hoje não é garantia de que esteja à frente de Doria na disputa pela vaga de candidato tucano à Presidência da República.

Isso porque, além de o voto dos filiados não ser obrigatório (o que torna crucial a capacidade de mobilização de cada diretório para garantir taxas razoáveis de comparecimento à votação), o peso total dos estados varia — o de São Paulo, por exemplo, pode chegar a 22%, enquanto o da Paraíba é de, no máximo, 5%.

As prévias tucanas esquentaram a partir do já esperado anúncio do senador Tasso Jereissati de que desistiria de participar da disputa em favor de Eduardo Leite.

Feito anteontem, o anúncio de Tasso carreou imediatamente para o governador do Rio Grande do Sul apoios de peso como o do senador José Aníbal, de São Paulo. No sistema das prévias tucanas, que poderia ser classificado de "castas", o voto de um senador (e também de um governador, vice ou deputado federal) equivale ao de 39 mil filiados.

Para além dos tucanos, as prévias do PSDB estão sendo ansiosamente aguardadas pelos articuladores da chamada terceira via.

Se der Doria, ninguém duvida que ele será candidato à Presidência até o fim e que não abrirá mão de ser cabeça de chapa da legenda.

Se der Leite, tendem a avançar as conversas do PSDB com o já apelidado "partidão", a sigla que surgirá da fusão entre o PSL e o DEM. Neste caso, Leite — embora negue— teria, sim, disposição de entrar como vice numa hipotética chapa da terceira via, segundo afirmam caciques tucanos.

Para reverter sua desvantagem nos diretórios, João Doria colocou todos os seus homens —e armas— em campo. Analistas apostam que ele pode obter nos próximos dias o apoio oficial de cinco estados: Espírito Santo, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Sergipe e Piauí.

O governador de São Paulo, como diz uma liderança tucana, está nas prévias "para matar ou morrer".

Caso seja derrotado por Leite, ele dificilmente poderá concorrer ao governo de São Paulo, dado que já prometeu a vaga ao seu vice, Rodrigo Garcia, que trouxe do DEM. Mais remota ainda seria a hipótese de ele decidir sair do PSDB e conseguir um partido que se comprometesse a bancar a sua candidatura a essa altura.

Restaria, portanto, ao governador de São Paulo, obcecado pela ideia da Presidência, esperar até 2026.

A briga no ninho está acirrada —e muitas bicadas virão nos próximos dias.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL