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Thaís Oyama

REPORTAGEM

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Doria diz a deputados que bancará a própria campanha se for candidato

Os governadores Doria e Leite, rivais nas prévias do PSDB: cabeça a cabeça - Marcello Fim/Ofotográfico/Folhapress
Os governadores Doria e Leite, rivais nas prévias do PSDB: cabeça a cabeça Imagem: Marcello Fim/Ofotográfico/Folhapress
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

11/11/2021 11h39

Como arma de batalha nas prévias do PSDB, o governador de São Paulo, João Doria, tem dito a deputados que abrirá mão do dinheiro do fundo eleitoral caso seja indicado candidato do partido à Presidência da República.

Trata-se de um argumento persuasivo, já que, como não podem mais receber doações de empresas, políticos dependem basicamente do financiamento público para bancar suas campanhas — e no caso de deputados e vereadores, esse dinheiro fica mais curto quando seus partidos têm de arcar com despesas de um candidato à Presidência.

O que Doria tem dito é que, se for o nome escolhido para concorrer pelo PSDB, fará sua campanha usando apenas dinheiro de pessoas físicas — o dele próprio e de amigos empresários.

Em 2019, o Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu que eleitores podem doar a candidatos até 10% da sua renda bruta anual. Já o candidato pode doar a si próprio até 10% do limite previsto para gastos de campanha na categoria a que concorre — no caso de presidente da República, o limite é de R$ 70 milhões.

Em 2018, o MDB topou lançar Henrique Meirelles à Presidência depois que ele se comprometeu a financiar a própria campanha — na época, o empresário e ex-presidente do Banco Central tirou R$ 54 milhões do bolso para participar da corrida ao Planalto. Acabou em 7º lugar, atrás do candidato cabo Daciolo, do Patriotas.

Na última semana, Doria conquistou aliados importantes no Ceará e na Bahia, além do apoio público da senadora Mara Gabrilli, que apoiadores de seu principal rival nas prévias, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, apostavam estar com o gaúcho. Como resposta, aliados de Leite preparam dois grandes eventos de apoio a ele a serem realizados na reta final das prévias: um com empresários e outro com tucanos de alta plumagem — ambos no quintal de Doria, onde Leite tem avançado graças à discreta atuação de Geraldo Alckmin, ex-padrinho e atual desafeto do governador de São Paulo.