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Thaís Oyama

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro não tem tanta saudade assim do caldo de cana

Bolsonaro: de olho no Senado, na vitória ou na derrota - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Bolsonaro: de olho no Senado, na vitória ou na derrota Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

23/11/2021 11h58

O presidente Jair Bolsonaro disse ontem que vai esperar até março do ano que vem para decidir se disputa ou não a reeleição. A suposta dúvida presidencial surgiu a partir da pergunta de um apoiador sobre quando ele iria se filiar ao PL.

Bolsonaro aproveitou a questão para fazer charme e desfiar seu habitual mimimi: ele é criticado injustamente, recebe a culpa por tudo e acham que é "o malvadão". Ele não tem vida própria e nem tomar um caldo de cana sossegado na rua pode.

Bolsonaro, claro, nem pensa em desistir da reeleição. A hipótese de escorar-se numa campanha ao Senado se continuar despencando nas pesquisas, como já foi cogitado, provoca risos em aliados. Diz um deles: "Para que virar um senador se ele pode ter dez na mão, ganhando ou perdendo a eleição"?

Bolsonaro já declarou que, depois da própria eleição, sua prioridade em 2022 será fazer senadores. O ex-capitão quer ampliar sua bancada na Casa para, em caso de vitória, ter chances de eleger o presidente do Senado e livrar-se dos sufocos por que seu governo vem passando nas mãos de Rodrigo Pacheco (PSD).

Junto com partidos do Centrão, ele trabalha para lançar nomes como o do empresário Luciano Hang e de alguns de seus ministros mais leais, entre eles, Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Tereza Cristina (Agricultura), Gilson Machado (Turismo), Rogério Marinho (Ministério do Desenvolvimento Regional) e Fábio Faria (Comunicações) — os dois últimos deverão disputar a mesma cadeira pelo Rio Grande do Norte.

Bolsonaro acha que pode fazer até 10 das 27 cadeiras que estarão em disputa no ano que vem na Casa — responsável, entre outras coisas, por processar e julgar o presidente da República por crimes de responsabilidade e aprovar a indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal e de tribunais superiores.

Para Bolsonaro, o Senado importa não apenas na hipótese da vitória. Caso perca a eleição, é lá que o presidente pretende montar a sua trincheira — o lugar onde investirá o seu capital político e poderá figurar como líder de uma grande bancada bolsonarista.

O ex-capitão não pretende sair tão cedo da pista. O caldo de cana pode esperar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL