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Thaís Oyama

REPORTAGEM

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Doria investe em mulheres para aproveitar brecha deixada por Bolsonaro

O governador João Doria, candidato à Presidência pelo MDB: "olhar feminino" na campanha - Divulgação/Governo do estado de São Paulo
O governador João Doria, candidato à Presidência pelo MDB: "olhar feminino" na campanha Imagem: Divulgação/Governo do estado de São Paulo
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

16/12/2021 12h10

Antes de ser sagrado candidato à Presidência pelo PSDB, o governador de São Paulo, João Doria, afirmou que, caso ganhasse as prévias, sua vice seria uma mulher.

Hoje, o tucano se encontra com a senadora Simone Tebet, que foi anunciada pré-candidata à Presidência pelo MDB mas já nasceu com a pecha de vice, dado o histórico do partido de lançar cabeças de chapa para depois desistir deles e faturar com a coligação.

Tebet é a vice dos sonhos de Doria.

E não apenas por que ela agregaria à sua campanha dinheiro do fundo eleitoral e tempo de TV — dois quesitos em que o MDB supera o PSDB em números. Doria quer Tebet, inclusive e sobretudo, porque supõe que a senadora é capaz de atrair para ele a simpatia do eleitorado feminino, pedra no coturno de Bolsonaro desde a campanha de 2018.

Para o governador de São Paulo, a presença de Tebet na chapa representaria a chance de abocanhar parte desse público feminino que rejeita o ex-capitão.

O problema de Doria é que Tebet não está nem um pouco interessada nessa conversa, ao menos por agora.

Para um estrategista de campanha da senadora, a alta rejeição de Doria nas pesquisas e sua fama de político pouco agregador, somada à "pecha de paulista", em nada ajudariam as alianças do MDB nos estados — na maioria dos quais o partido de Tebet e o de Doria teriam dificuldade para compatibilizar interesses.

Para deixar bem claro que seu encontro com Doria não significa uma perspectiva de compromisso, a senadora marcou, para a mesma semana, uma reunião com o também pré-candidato à Presidência Luiz Felipe Dávila (Novo) e o aspirante ao posto Luciano Bivar (União Brasil).

No mês passado, João Doria afirmou que ao menos metade de sua equipe econômica seria composta por mulheres, de modo que a sua campanha tivesse um "olhar feminino" nessa área.

Hoje, a promessa se confirmou com as nomeações, antecipadas pela Folha, de três economistas: Ana Carla Abrão, Zeina Latif e Vanessa Rahal Canado. Junto com o ex-ministro Henrique Meirelles, elas irão compor o comitê encarregado de elaborar as propostas do candidato na área econômica.

Doria quer Tebet e mais quantas mulheres puder ter ao seu lado.

Antes, porém, precisa resolver um problema aparentemente bem mais difícil, que é movimentar seus ponteiros nas pesquisas, até agora paralisados no desanimador patamar dos 2%.