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Thaís Oyama

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bob, o comissário de bordo

Ashim DSilva/Unsplash
Imagem: Ashim DSilva/Unsplash
Thaís Oyama

Thaís Oyama é comentarista política. Foi repórter, editora e redatora-chefe da revista VEJA, com passagens pela sucursal de Brasília da TV Globo, pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S Paulo, entre outros veículos. É autora de "Tormenta - O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos" (Companhia das Letras, 2020) e de "A arte de entrevistar bem" (Contexto, 2008).

Colunista do UOL

07/02/2022 11h00

Esta é parte da versão online da edição desta segunda-feira (7) da newsletter de Thaís Oyama. Para assinar o boletim e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

A série que estreia essa newsletter nasceu do projeto de um livro que se chamaria "Vidas Íntimas" e no qual a colunista pretendia mostrar as vidas extraordinárias de pessoas anônimas.

O livro nunca saiu, mas deu origem à série que abre hoje com Bob (o nome é fictício), 55 anos, chefe de comissários de uma das maiores companhias aéreas do mundo, que Thaís Oyama entrevistou por mais de sete horas, em três encontros. Ele conta a seguir como os 28 anos de profissão moldaram sua visão dos passageiros.

O passageiro, esse chato

Eu identifico passageiro-problema de longe. É o sujeito que já chega com uma cara desafiadora, não quer acomodar sozinho a mala dele e que, quando você passa com o carrinho de bebidas, te pergunta: "Posso pedir três coisas?".

Ele quer um suco de laranja, uma diet coke e quer também experimentar dois rótulos de vinho tinto — ah, faça-me o favor. Dá problema o voo inteirinho. A gente já avisa os outros: "Cuidado com o 15F". Tem também o contrário. Se for um gato com um "equipamento" bom, dizemos pro colega: "Checa o cinto de segurança do 11A...".

Outro problemaço é pedido de upgrade [mudança para um assento em classe superior do voo]. Inventam mil histórias: gravidez, a mãe morreu, dor nas costas, pé quebrado, acabou de operar... Eu, como chefe de cabine, posso dar o upgrade, mas sou meio durão com isso e só dou quando vejo que a situação é mesmo grave.

As pessoas ficam irracionais num avião

O ser humano deixa o cérebro em casa assim que pisa no aeroporto. As pessoas agem das maneiras mais estranhas possíveis.

Outro dia, um senhor da primeira classe veio aos berros, jogando a mala no chão porque uma pessoa da econômica passou no corredor e pisou no seu pé. Ele, alto executivo de uma grande companhia, dizia que não iria mais voar. "Como a companhia pode deixar isso acontecer?", gritava.

Tem uma coisa que acontece em quase todo voo: briga porque não entraram certas comidas especiais.

As kosher e as medicinais (sem glúten ou para pacientes de diabetes) são as que mais dão problema. Às vezes não é culpa nossa, a secretária do passageiro esqueceu de fazer a reserva, por exemplo. Mas eu tenho de apaziguar, pedir desculpas, oferecer uma compensação, uma fruta. Já chego sorrindo, mostrando os dentes.

'Nem uma gota de álcool pro 9G'

O problema mais frequente nas viagens é desmaio de passageiro, por pressão alta ou baixa. Em grupos grandes de adolescentes sempre tem um que desmaia. Excitação do voo.

Problema número dois é o cara que bebeu demais. Homem. Vomita no assento, vomita nos banheiros, vomita nas pessoas. Já tive muito. Se estiver em solo, a gente tira do avião na hora. Normalmente, é o sujeito que tem fobia de voar. Enche a cara no bar do aeroporto e já chega bêbado no assento.

Ou então, tem as pessoas que bebem para conseguir dormir. Só que estar a 5 mil pés é como estar sempre em Campos do Jordão —o álcool sobe mais rápido do que quando você está em solo. Nessas situações, a primeira medida é a comunicação entre nós: "Nem uma gota de álcool pro 9G".

LEIA MAIS NA NEWSLETTER

Bob também relata como lida com brigas de casal em pleno voo e com passageiros da primeira classe, econômica e executiva.

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